
17 de abril de 1977
Por ocasião da profissão de três irmãs da Fraternidade São Pio X
Retirado do site SSPXAsia.com - Traduzido por Jordan Rodrigues
Em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo. Amém.
Minhas queridas irmãs e meus queridos irmãos:
Dentro de alguns instantes, segundo o costume da Igreja e segundo a Tradição, vamos abençoar estes hábitos religiosos, estas cruzes, estas medalhas, estes anéis, estes véus e estes crucifixos.
E por que tudo isso? Por que essas bênçãos? Por que esses hábitos religiosos? Não seria preferível abandonar esses costumes que parecem não ter mais nenhum significado em nossos dias? Nós, portanto, perguntamos à Igreja em sua Tradição: “Por que essas bênçãos? Por que esses hábitos religiosos? Por que esses objetos religiosos?” A Igreja nos diz que é porque essas pessoas que vão ser vestidas desejam se tornar religiosas.
Novamente perguntamos à Igreja: "O que é uma pessoa que se torna religiosa?" Para a resposta, abrimos a lei da Igreja que é chamada de Direito Canônico. Encontramos no Direito Canônico que um religioso é uma pessoa que pronuncia os três votos da religião: os votos de obediência, de castidade e de pobreza. Tudo isso parece tão formal, tão rigoroso. O que é então uma pessoa que pronuncia esses três votos, e o que esses três votos significam?
Esses três votos significam que a pessoa que se consagra como religiosa abandona doravante os prazeres da carne, abandona tudo o que o dinheiro é capaz de nos proporcionar aqui na terra, e abandona também sua própria vontade. A obediência é o voto pelo qual a religiosa abandona sua vontade nas mãos de seu superior. O voto de castidade é aquele pelo qual a religiosa sacrifica as alegrias da maternidade, e o voto de pobreza significa que a religiosa despreza doravante as coisas, os bens deste mundo. Ela não deseja lucrar com todo aquele dinheiro legitimamente ou, ai de mim!, ilegitimamente pode nos proporcionar aqui na terra. Tudo isso parece ter um aspecto bastante negativo, um aspecto penitencial, um aspecto de austeridade, de renúncia, de abnegação. É somente isso que verdadeiramente faz a religiosa? Não há nada mais, nenhum outro motivo mais elevado além do simples desejo de fazer penitência e aparecer aos olhos do mundo como uma pessoa que despreza o mundo? Não há um motivo mais profundo para pronunciar esses votos? Sim, de fato! Há um motivo mais profundo. Todo o resto não significaria nada, absolutamente nada, se não houvesse. É Ele, Ele que atrai os religiosos para Si. Você sabe, há apenas um nome no céu e na terra que é capaz de atrair as almas a ponto de se consagrarem a Ele. É Nosso Senhor Jesus Cristo! Aí está a chave do mistério. É Ele que tocou o coração dos religiosos, dos padres, de todos os cristãos. Há apenas um nome aqui embaixo que foi dado para nos salvar, para termos a vida eterna; uma Pessoa somente que derramou Seu sangue para nos salvar de nossos pecados: Nosso Senhor Jesus Cristo.
Quem, então, é essa Pessoa Que tem o privilégio desse poder de atrair almas, de atrair corações de tal maneira que aqueles que desejam se tornar religiosos abandonem tudo o que dá alegria — alegria aparente — na terra? Quem é, portanto, Nosso Senhor Jesus Cristo? O que Ele fez por nós?
Se alguém olhar para a história desde que Nosso Senhor Jesus Cristo ascendeu ao céu, verá o número de mártires de todas as idades, de todas as condições, que deram seu sangue para seguir Nosso Senhor Jesus Cristo, porque O adoraram, porque O amaram, porque O obedeceram. Somente por Seu nome eles estavam prontos para derramar seu sangue. Tantos mártires! Tantas nações que, por causa de sua fé, foram massacradas: porque acreditaram em Nosso Senhor Jesus Cristo! Tantas vocações! Tantos mosteiros! Tantos conventos que foram erguidos para encerrar aqueles que desejavam passar a vida inteira rezando, adorando e servindo Nosso Senhor Cristo! Que grande generosidade! Que grande caridade esse nome sozinho levantou no mundo inteiro.
Nos lares cristãos, o nome venerado de Jesus dá as virtudes necessárias para a família, faz um lar mais cristão - um lar onde se respeita e honra o nome de Nosso Senhor Jesus Cristo. Muitas almas dedicaram suas vidas inteiras a servir os doentes - a servir o Corpo Místico de Nosso Senhor Jesus Cristo - a servir os sofredores em hospitais, em enfermarias, em colônias de leprosos - onde quer que haja membros sofredores do Corpo Místico de Nosso Senhor, houve almas generosas para ministrar a esses sofrimentos. Por quê? Exclusivamente para aqueles que estão sofrendo? Não! Em nome de Nosso Senhor Jesus Cristo!
Tantas almas dedicaram suas vidas a ensinar a Fé, o catecismo, à educação religiosa das crianças, das famílias. Essas almas dedicaram suas vidas à educação católica - à educação cristã. Por quê? Para tornar Nosso Senhor Jesus Cristo conhecido. E hoje, a Epístola e o Evangelho não dizem a mesma coisa - essa é a nossa fé: acreditamos que Jesus Cristo é o Filho de Deus. Acreditamos, portanto, que Ele é o próprio Deus. Per quem omnia facta sunt - por Quem todas as coisas foram feitas - fomos feitos por Nosso Senhor Jesus Cristo. Somos criaturas de Nosso Senhor Jesus Cristo e Ele derramou Seu sangue por nós. Ele veio à terra para se sacrificar por nós: então também desejamos nos sacrificar por Ele. Portanto, isso é religião; é por isso que alguém se torna religioso.
Minhas queridas Irmãs, se vocês não estiverem ligadas a Nosso Senhor Jesus Cristo durante toda a sua vida, vocês não têm razão para se tornarem religiosas - nenhuma! É por isso que vocês vão receber seu hábito, para manifestar Nosso Senhor Jesus Cristo por seu hábito religioso. É por isso que vocês vão receber seu véu, sua medalha e seu crucifixo. É por isso que vocês vão ser abençoadas em nome de Nosso Senhor Jesus Cristo.
Os pais e mães de família podem dizer: "É certamente agradável ser religioso. Sem dúvida, a pessoa se separa de um grande número de alegrias, mas também de um grande número de dificuldades. Certamente os conventos e mosteiros devem ser o paraíso na terra, pois é a própria Igreja que diz: "Ubi Jesus, ibi paradisum - onde se encontra Jesus, encontra-se o paraíso". Assim, se Jesus está nas comunidades religiosas, o paraíso também está lá.
Sem dúvida, talvez esse devesse ser o caso. Mas o bom Deus não permite que o paraíso exista na Terra. Pelo contrário. Ele nos prometeu a cruz! Ele nos prometeu sacrifícios em comunidades religiosas - até mesmo mosteiros. Seria um erro grave acreditar que poderíamos encontrar na Terra um lugar onde pudéssemos estar como no paraíso. O paraíso está reservado até depois da nossa morte.
Durante o curso de nossa vida, devemos carregar nossa cruz. Seja quem for: cônjuges cristãos, religiosos, padres - todos nós devemos carregar nossa cruz. Não podemos encontrar Nosso Senhor Jesus Cristo aqui na terra a menos que O encontremos com Sua cruz. Se O encontrarmos, Ele imporá Sua cruz sobre nós - "Carregue sua cruz e siga-me". Isto é o que Ele nos diz: "Se você deseja ganhar a vida eterna, carregue sua cruz e siga-me". Ele não disse: "Eu te darei felicidade na terra", mas sim Ele nos disse: "Você terá a vida eterna no céu, mas primeiro carregue sua cruz".
É por isso, minhas queridas Irmãs, não se enganem, vocês estão começando o caminho da cruz, mas um caminho da cruz, como Nosso Senhor disse: "Meu jugo é suave e meu fardo é leve". Levada com Nosso Senhor Jesus Cristo ao segui-Lo, a cruz se torna leve. Lembrem-se de que esta cruz nos assimila a Nosso Senhor Jesus Cristo; ela nos faz assemelhar a Nosso Senhor Jesus Cristo. Lembrem-se de que por Sua cruz participamos da redenção do mundo. Quando nosso sangue deve fluir ao carregar esta cruz, nosso sangue será misturado ao de Nosso Senhor Jesus Cristo e as almas serão salvas.
Todos os sofrimentos, o menor dos menores sofrimentos, são ocasiões para misturar nosso sangue com o de Nosso Senhor para a redenção do mundo, para a redenção de nossas almas. Assim, como é bom estar com Nosso Senhor! É por isso que os santos e mártires desejaram sofrer; eles desejaram a cruz.
Lembre-se das palavras de Santo André ao ver a cruz à qual ele seria preso - Ó bona crux! - Ó boa cruz! Santo André sabia que preso à sua cruz ele se assemelharia ainda mais a Nosso Senhor Jesus Cristo e que ele ascenderia ao céu. Ele sabia também que participando dos sofrimentos de Nosso Senhor, ele salvaria almas. Assim, percebendo-o de longe, ele gritou: "Ó bona crux!" Que você também possa dizer todos os dias de sua vida, quando suas cruzes pesarem muito sobre seus ombros, "Ó bona crux!" Elas o unirão ainda mais a Nosso Senhor Jesus Cristo porque farão você entender todos os Seus sofrimentos.
Além disso, vocês têm como padroeira particular, a Bem-Aventurada Virgem Maria, Nossa Senhora da Compaixão, Nossa Senhora das Sete Dores, que não teve um único pecado, que foi imaculada desde sua concepção, que não cometeu nenhum pecado aqui na terra. Se ela mereceu sofrer com seu divino Filho de tal forma que seu coração foi trespassado por uma espada, ela que não merecia esses sofrimentos - nós, que merecemos sofrer por causa de nossos pecados, não ousaremos imitar e nos assemelhar à Bem-Aventurada Virgem Maria?
Peça à sua santa padroeira, a Bem-Aventurada Virgem Maria, Nossa Senhora da compaixão, Nossa Senhora das Sete Dores, que lhe ensine a sofrer com Nosso Senhor Jesus Cristo, para que você também possa um dia participar de Sua glória.
Em nome do Pai e do Filho e do Espírito. Amém.
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