Como conservar as virtudes

Toda virtude é preciosa perante Deus e perante os homens. Mas a virtude rainha, a virtude angélica, é a santa pureza, tesouro inestimável, que torna o homem semelhante aos anjos, embora vivendo ainda na terra. Com efeito, na ressurreição, nem eles se casam e nem elas se dão em casamento, mas são todos como os anjos no céu. [Mt 22, 30] Essa virtude é como o centro ao redor do qual se congregam e se conservam todos os bens e, se por desgraça, viermos a perdê-la, todas as outras virtudes também se corromperão. Com ela me vieram todos os bens, de suas mãos, riqueza incalculável. [Sb 7, 11]
Mas, essa virtude que tanto agrada Jesus e Maria, é muito atacada pelo inimigo, que costuma usar de vários meios para a manchar e a destruir. Por esse motivo, indico algumas normas e armas espirituais, com as quais com certeza você alcançará a graça de a preservar e repelir o Tentador.
A arma principal é o pudor. A pureza é um diamante de grande valor; se alguém expõe um tesouro perante a vista de ladrões, corre grande perigo de ser assaltado. São Gregório Magno declara que se alguém carrega em público uma riqueza, é sinal de que deseja ser roubado.
Junto com o pudor, é preciso freqüentemente se confessar com extrema sinceridade, comungar sempre e evitar pessoas que com atos ou palavras, demonstrem não apreciar a virtude da pureza.
Recorde o aviso do Senhor, de que algumas tentações, somente com jejuns e orações podem ser vencidas. Jejum significa mortificações dos sentidos: refrear os olhares, a gula, fugir do ócio e consentir ao corpo somente o descanso estritamente necessário. Jesus Cristo recomenda a oração persistente, fervorosa e cheia de fé, até que a tentação se afaste.
As jaculatórias também são armas formidáveis, podemos dizer: Meu Jesus tem misericórdia de mim! Maria, concebida sem pecado, rogai por mim que recorro a vós! Maria, auxílio dos cristãos, rogai por mim! Doce Coração de Maria, sede a minha salvação! É também muito eficaz beijar o crucifixo, alguma medalha benta ou o escapulário de Nossa Senhora.
Finalmente, podemos recorrer a uma arma invencível, a presença de Deus, que tudo observa. Será que teremos a ousadia de ofendê-lo diante de sua presença? O patriarca José, quando era ainda escravo no Egito, sendo tentado a cometer um ato abominável, respondeu: «Como poderia eu realizar um tão grande mal e pecar contra Deus?». [Gn 39, 9] Também, você amigo deve dizer: «Como poderei deixar-me induzir a cometer este pecado na presença de Deus, meu Criador e Salvador, este que pode precipitar-me no inferno?». Creio ser impossível se deixar vencer pelas tentações, sempre que pensar na presença de Deus.
O Cristão Bem Formado, Capítulo II, pág 17 - São João Bosco
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