quarta-feira, 11 de setembro de 2024

A Dignidade, a Santidade e as Virtudes de São José

 A Dignidade, a Santidade e as Virtudes de São José

A Igreja nunca encontrou dificuldade em propor São José como exemplo e modelo para todos os cristãos. De fato, o Papa Leão XIII, afirma que “ Em São José os pais de família têm o mais sublime modelo de paterna vigilância e prudência, os esposos um perfeito exemplo de amor, de concórdia e de fé conjugal, os virgens um tipo de defensor, juntamente com uma virgindade integral”... Os operários devem, por um direito que lhes é próprio, tomar dele o que devem imitar...” (Leão XIII, Quanquam Pluries 15, agosto 1889). São José pertence à classe operária, experimentou o peso da pobreza, para si e para a sua família. Com uma vida de fidelíssimo cumprimento do seu dever, deixou o exemplo para todos os que devem ganhar o pão com o trabalho das próprias mãos.

Evidentemente que a santidade de São José tem sua origem e a sua expressão na singular união e intimidade que viveu com Maria e Jesus. Desta realidade deriva a extraordinariedade da sua vida. A sua adesão à vontade de Deus, como disse Paulo VI, “é o segredo da grande vida para cada pessoa. Fundamentalmente a espiritualidade de São José, como uma proposta da Igreja, é algo acessível a todos os cristãos porque supõe a grandeza da vida diária enquanto tal”. 

A dignidade e santidade de José é determinada pelo seu estreito relacionamento com Jesus e Maria e pelo seu grau de cooperação aos mistérios da Redenção. Também se a paternidade de José não foi física, contudo esta não é menor em dignidade. Por isso, José teve para com Jesus um relacionamento de pai para filho seja em nível de convivência, como de afeto, de comportamento, de autoridade, de educação... Consequentemente podemos dizer que a sua paternidade é densa de conteúdo e rica e esta lhe valeu uma dignidade superior àquela dos anjos, pois enquanto os anjos apenas serviram Jesus, José teve autoridade sobre ele. A sua dignidade é superior à de João Batista, pois enquanto João Batista dá testemunho de Cristo, inclusive com o seu sangue, José teve poder sobre ele. A grandeza de José é inclusive superior em relação aos apóstolos, posição esta confirmada por Suaréz quando diz: “Admito que a missão do apóstolo constitui a maior função entre aquelas que existem na Igreja... não é improvável a opinião segundo a qual, a missão de José é ainda mais perfeita, enquanto esta é de ordem superior... Existem funções ou ministérios que são certamente próprios da graça santificante, e neste plano considero os apóstolos superiores em dignidade... Porém, existem também ministérios que estão ligados à ordem hipostática, os quais são por si mesmos mais perfeitos... justamente neste sentido, na minha opinião, está o ministério de São José, mesmo que esteja no último degrau...” (Mistérios de la vida de Cristo, vol I pg 271). Desta mesma opinião é São José Marello, fundador da Congregação dos Oblatos de São José, o qual afirma que “Se, à semelhança do grande Patriarca São José, alguém tivesse que servir Jesus nos trabalhos modestos e inferiores aos de São Pedro, pensaria que o humilde Guarda de Jesus esta mais algo no céu que o grande apóstolo”. O próprio João Paulo II afirmou que em confronto aos apóstolos e a João Batista, que José é um personagem singular e único, porque confrontando com estes os supera em um grau muito notável. 

Ainda ao afirmar a dignidade de José não podemos esquecer que ele é o esposo de Maria, e que com ela teve um relacionamento profundo, e justamente porque Maria devia ter ao seu lado um esposo digno, Deus o elevou à altura de sua dignidade, também se ela, por ser a Mãe de Deus é superior em grandeza e dignidade a qualquer outra pessoa. Portanto, José ao servir Jesus, serviu também a obra da redenção. Na verdade o Verbo de Deus ao encarnar-se quis precisar dos préstimos e da colaboração de Maria para encarnar-se em seu seio virginal, como também de José, pelo período de alguns anos, para ajudá-lo em suas necessidades materiais e morais como homem. Nesta tarefa José empenhou-se com todo seu ser e sua liberdade, oferecendo-se a Deus como humilde oblação de sua vida.

Devido a dignidade e grandeza de sua missão conferida para Deus, não resta dúvida que sua santidade é menor somente em relação a Maria. Ele identificou sua vontade humana com a vontade divina de Deus e viveu uma união profunda com ele na comunhão com Jesus. 

A santidade expressa-se também no amor a Deus, e neste sentido José amou Jesus como ninguém no mundo com exceção de Maria. Ele amou Deus na pessoa de Jesus como a seu próprio filho e assim atingiu o máximo amor depois daquele materno de Maria. Devemos lembrar que o evangelho define José como homem justo, o que significa que foi um homem que cumpriu de modo perfeito a vontade de Deus. Foi em razão desta justiça que Abraão, Isac, Jacó, Moisés, os profetas foram grandes santos, e que portanto tiveram uma grande dignidade porque participaram da história da salvação como colaboradores de Deus. Por isso podemos concluir que também José com a sua participação da história da salvação de uma maneira especial, como pai de Jesus, e pela convivência com ele, é o mais santo de todos os outros personagens do Antigo Testamento. 

É preciso considerar que a fé é um elemento fundamental para a santidade, a qual supõe submissão absoluta à Palavra de Deus. Assim foi Abrão que acreditou nas palavras de Javé para sair de seu país e ir para uma terra desconhecida (Gn 12,1-3). Ele acreditou em Javé quando lhe foi dito que embora fosse velho e sua mulher fosse estéril, ele seria o pai de uma multidão (Gn 15,5). Acreditou igualmente quando lhe foi pedido de sacrificar seu único filho, por isso São Paulo diz: ”Acreditou contra toda esperança” (Rm 4,18).Também a José foi pedido de ser pai de um filho que nasceria de uma virgem e ele acreditou, embora não pudesse comprovar com certeza a concepção virginal de sua esposa. 

Da mesma forma a esperança uma virtude que consiste em colocar-se nas mãos de Deus e esta José a exercitou quando deparou-se com as dificuldades na eminência de sua esposa dar à luz em Belém sem um lugar apropriado; quando teve que partir fugindo para o Egito, ou quando o menino Jesus permaneceu no Templo sem que ele e sua mãe soubessem, e se limitaram a procurá-lo pacientemente. 

Enfim, foram muitas as ocasiões fortes em que José manifestou e vivenciou a santidade, pois além do exercício destas três virtudes teologais, ele viveu também com intensidade as virtudes morais, tais como a prudência no exercício do seu ministério, seja no guardar para si o mistério da encarnação, onde Jesus fora concebido virginalmente, seja diante dos pastores, de Isabel, de Zacarias, do velho Simeão, dos Magos, todos que proclamavam a presença do Messias na terra, tanto é verdade que seja ele, seja Maria se maravilhavam do que diziam sobre Jesus (Lc 2,19.33.51). Ainda sempre com discrição e prudência se comportará quando fugiram para o Egito e depois de lá voltaram para Nazaré.

Questões para o aprofundamento pessoal 

1. Em que nos baseamos ao afirmar a dignidade e santidade de São José? 

2. Comente as virtudes teologais que São José vivenciou.

O Matrimônio de Maria e José

 O Matrimônio de Maria e José

O primeiro título que Mateus dá a José é “Esposo de Maria”(Mt 1,16) e o segundo é “Filho de Davi” (Mt, 1,20). Entre os dois insere o qualificativo “Justo” (Mt 1,19) exprimindo desta forma o grau de santidade exigido no objetivo pelo qual estes dois títulos são lhe atribuído, ou seja, o inserimento do Verbo na família humana. Sendo que a messianidade de Jesus depende do casamento de Maria com José, é natural que Mateus evidencie que ele é esposo de Maria. O evangelista interessa definir que Jesus foi concebido pelo Espírito Santo e não o momento da concepção, durante ou depois do casamento, mesmo porque o Verbo “Minesteúo” (v 18) utilizando por Mateus pode ser interpretado tanto como namoro como também para mulher casada que coabita com o marido (Lc 2,5). A Igreja retém que entre Maria e José houve um estreito vínculo conjugal e próprio por isto José participa da excelsa grandeza de Maria.

O matrimônio entre ambos foi verdadeiro porque entre eles houve a união conjugal, não a união sexual. Houve a “união indivisível dos ânimos” que levou ambos a manter-se perpetuamente fiéis um ao outro. O matrimônio de Maria e José não foi portanto um jogo de simples circunstâncias humanas, ou simplesmente o resultado de um preciso intervento de Deus. Este foi uma necessidade para o honrado inserimento do Verbo Divino na família humana e para o seu reconhecimento como filho de Davi. O mesmo foi destinado para acolher e educar Jesus, e por isso comportava a máxima expressão da união conjugal, ou seja, o grau supremo do dom de si. Neste sentido a virgindade exprime e garante a gratuidade deste dom, e assim esta união apenas não compromete a essência do matrimônio e da paternidade, mas a evidência e a defende, segundo a afirmação de Agostinho: “Esposo tanto mais verdadeiro quanto mais casto”, “Pai tanto mais verdadeiro quanto mais casto”.

 O dom de si coincide, para São Tomás, com o amor amizade que não é o amor concupiscência, pois ama-se querendo o bem do outro e não o bem próprio; amase numa dimensão de amor recíproco. De fato, a afinidade espiritual de Maria e José foi tão grande que Maria aceitou a divina maternidade sem pedir o consentimento a ele, porque sabia que Deus tinha sobre ela todo direito e que era desejo profundo de José que ela fosse toda de Deus. Com isso a atitude de Maria para com José não foi uma falta de delicadeza, mas sinal de confiança. Em vista disto, Bernardino de Bustis afirma que: ”entre Maria e José existiu um amor indivisível e santíssimo; de fato, depois de Cristo, seu Filho, a Virgem puríssima não amou nenhum homem ou criatura assim como a José e da mesma forma José amou a beata Virgem acima de todas as criaturas”. (Sermo 12, de BMV Desponsatione). Maria se distinguiu em seu amor para com José e não houve ninguém que ela não tratasse com tanta familiaridade que a José, seu esposo. Na comunhão de amor com Maria está também o segredo de toda a santidade de José e, se é verdade, como afirma Francisco Suaréz: “que um dos meios mais eficazes para obter de Deus os dons da graça é a devoção para com a Virgem e a sua intercessão, podemos acreditar que o santíssimo José, diletíssimo à Virgem e devotíssimo, obteve por seu meio a exímia perfeição e santidade. Desta forma, como é o parecer de São Bernardino de Sena, Maria amou José com toda sinceridade e com todo o afeto de seu coração e ofereceu-lhe livremente o tesouro de seu coração”. 

Já afirmamos que Deus designou José “filho de Davi”, para transmitir a Jesus a descendência davídica e o fez através do matrimônio com Maria. Se Maria esposa de José tem um filho, este legalmente é também filho de José pelos efeitos civis e familiares. Daqui a importância deste matrimônio, pois juntamente com Maria, José foi envolvido na realidade do evento salvífico, sendo o depositário do mesmo amor do Eterno Pai (RC 1). 

O anjo ao dirigir-se a José com o título, “Filho de Davi”, “introduz José no mistério da maternidade de Maria”, a qual tornou-se mãe por obra do Espírito Santo. O anjo também dirige-se a José como “ao esposo de Maria”, como aquele que deverá dar o nome ao Filho que nascerá da Virgem de Nazaré, sua esposa; portanto, confia-lhe uma tarefa de pai terreno a respeito do Filho de Maria (RC 3).

Já que a “União virginal e santa de José e Maria constitui o vértice do qual a santidade se espalha sobre a terra”, é particularmente oportuno celebrar a festa dos Santos Esposos Maria e José.

Questões para o aprofundamento pessoal 

1. Indique com suas palavras por que o matrimônio de Maria e José é verdadeiro. 

2. Por que este matrimônio foi necessário diante dos desígnios de Deus? 

Um Matrimônio com a União Conjugal e Todo Especial

O pelagiano Julião, negou o matrimônio de Maria e de José, porque este não foi consumado. Agostinho defendeu este matrimônio colocando sua essência na união dos ânimos. Para ele José é esposo de Maria na continência, não pela união sexual, mas pelo afeto, não pela união dos corpos, mas pela união dos ânimos. A união deles não vem pela ligação dos corpos mas do consentimento, em virtude da União Conjugal. Para Agostinho não se pode dividir o casal porque não se une carnalmente, mas se une com os corações (Cordibus connectuntur).

A ausência da união sexual não faz com que José não seja o marido, pois o próprio Mateus narra que Maria foi chamada pelo anjo de sua esposa, mesmo referindo que não tinha tido a união sexual com ele para o nascimento de Jesus, mas que ela concebeu por obra do Espírito Santo. Assim, enfatiza Agostinho que aqueles que decidem consensualmente abster-se para sempre da união sexual, não somente não desfazem o vínculo conjugal, mas será tanto mais estável quanto mais este pacto, observado com amor e concórdia, existir não através dos liames dos corpos, mas com o afeto das almas (Voluntariis affectibus animorum). Santo Agostinho afirma ainda a respeito da ausência da união sexual entre os dois que: “José não por isso não foi pai, porque não se uniu sexualmente com a Mãe do Senhor, quase que seja o libido a torná-la esposa e não a caridade conjugal”. Por isso responde a Julião que retém José somente como “quase marido”, ou seja, segundo a opinião do povo, conforme narra Lucas (3,25) que entendia remover a falsa opinião de que Jesus fora gerado pela união sexual, e não negar que Maria fosse esposa de José. Além do mais, Agostinho afirma que neles foram realizados todos os bens do matrimônio: o filho, a fidelidade e o sacramento. A prole que é o próprio Jesus, a fidelidade, porque não houve nenhum adultério e o sacramento, porque não há nenhum divórcio.

Em suma, para Santo Agostinho o matrimônio pode ser tido como tal não por motivo da união sexual, mas por motivo do perseverante afeto da mente. Os cônjuges devem saber “muito mais intimamente (multo familiarius) que aderem aos membros de Cristo, quanto mais possam imitar os pais de Cristo” (Contra Faustum 23,8).

O Matrimônio de Maria com José não é algo secundário ou um simples acontecimento na vida privada dos dois e sim, um matrimônio todo especial, mas nem por isso incompleto e insignificante, aliás, para termos conhecimento sobre a sua importância basta que leiamos Santo Tomás, o qual na terceira parte de sua obra Summa Theologica, na questão 29 dedica sua atenção sobre “O Matrimônio da Mãe de Deus”, onde interrogando-se sobre o seu matrimônio coloca duas proposições: se Cristo tinha que nascer de uma mulher casada e se houve realmente um verdadeiro matrimônio entre a mãe de Deus e José.

Antes, porém de abordarmos os argumentos de Santo Tomás, vamos considerar que a singularidade deste matrimônio suscitou ao longo dos séculos atitudes contrastantes, pois alguns preferiram não enfatizar São José como o verdadeiro esposo de Maria, mas sim, idealizaram Maria como esposa considerando-a esposa da Santíssima Trindade, esposa do Pai, esposa do Espírito Santo, esposa da Igreja, esposa das almas... menos esposa de José. Outros consideram o matrimônio de José e Maria muito problemático, e outros ainda o julgaram comprometedor, pois diziam que este ocasionava uma dificuldade para a sua virgindade e assim transformaram José num velho, no guarda de sua virgindade, sendo que tudo isso foi fruto da visão errada dos apócrifos, fato este que a arte testemunhou sobejamente.

Existem, contudo aqueles que são convencidos da importância deste matrimônio e inclusive promoveram a festa dos Santos Esposos, a qual é geralmente lembrada no dia 23 de janeiro.

Para nós é imprescindível afirmar que o matrimônio de José e Maria tem uma importância capital na história da nossa salvação. O próprio magistério da Igreja nos ensina que se é importante professar a concepção virginal de Jesus como nos relatam os evangelistas (Mt 1,18-25; Lc 1,26-38), é igualmente importante enfatizar o matrimônio de Maria com José (Mt 1,16-18-20.24; Lc 1,27; 2,5) porque juridicamente é deste que depende a paternidade de José (RC 7). Na verdade este matrimônio entra num dos mistérios da vida de Cristo e o seu fundamento bíblico é indiscutível dado a estreita relação dele com todo o mistério da encarnação. O próprio Mateus embora sabendo que José não gerou Jesus, demonstra contudo a necessidade deste matrimônio, a fim de que Jesus tivesse a qualificação de Messias e a genealogia davídica. Portanto, a encarnação de Jesus aconteceu dentro deste matrimônio.

Os Padres da Igreja ao longo dos séculos ocuparam-se da importância e da natureza deste matrimônio, inclusive com a sua celebração litúrgica começada no início do século XV, sobretudo por esforço de Gerson (1363-1429), chanceler da Universidade de Paris, o qual num sermão: “Sermo de nativitate gloriosiae Virginis Marie et de commendatione Virginei sponsi eius Joseph” dirigido aos Padres do Concílio de Costanza (8/9/1416) pedia-lhes que invocassem oficialmente a intercessão de São José e de instituir uma festa em sua honra para todas as Igrejas com o objetivo de celebrar a festa dos Santos Esposos, particularmente aquelas dedicadas à Nossa Senhora, durante o 4º domingo do Advento; para isso ele compôs uma missa e um ofício próprio, o qual se difundiu rapidamente.

Desta data para cá a festa dos Santos Esposos foi celebrada com autorização para Dioceses, Congregações, Conventos e também para alguns Reinos. É de se notar que em 1555 o Papa Paulo IV ao condenar a seita dos Unitários, a qual negava a concepção virginal de Jesus, querendo extirpar tal heresia, suprimiu esta festa litúrgica em todos os calendários litúrgicos, porém nem todos observaram sua determinação. Somente em 1561 a Congregação dos Ritos ao fazer uma revisão dos Calendários particulares e dos Ofícios e missas próprias, catalogou a festa dos Santos Esposos Maria e José para o dia 23 de janeiro como festa considerada de devoção podendo ser celebrada nos calendários particulares, quando houvesse motivos especiais. Hoje esta festa permanece ligada aos motivos ou aos lugares e a sua promoção depende dos devotos e também, é claro, dos pastores.

A teologia do matrimônio tem suas raízes na criação e o seu cumprimento na encarnação de Jesus. Na ordem da criação o matrimônio exprime, através do corpo humano, a manifestação do amor. Na ordem da redenção o matrimônio de José e Maria torna-se essencial no aspecto cristológico por dar a Jesus a descendência davídica, no aspecto salvífico porque é a primeira realidade humana assumida para ser purificada e santificada e no aspecto eclesial porque é símbolo perfeito da união de Cristo com a Igreja.

Qual é na obra da criação a realidade que mais manifesta o amor de Deus, o qual é o próprio amor? É o próprio homem, imagem de Deus (Gn 2,7). O homem é visivelmente a mais alta expressão do amor de Deus, porque traz em si a interior dimensão deste dom e com isso leva ao mundo a sua particular semelhança com Deus. No prefácio da Missa para os Esposos lê-se: “Na união entre o homem e a mulher imprimistes uma imagem do Vosso amor”. O homem é portanto sacramento do amor de Deus e realiza isso justamente “doando-se”, existindo “para alguém”. “Numa relação de recíproco dom” (Osservatorio Romano, 10/1/1980). Nesta perspectiva o corpo manifesta a necessidade e a comunhão das pessoas. “O corpo é criado para transferir na realidade visível do mundo, o mistério escondido na eternidade em Deus, e assim ser o seu sinal...”(OR 21/2/1980). 

O corpo possui portanto, uma função sacramental e isto leva-nos a descobrir o seu significado “Esponsal”, ou seja, a capacidade de exprimir amor. Infelizmente o pecado original comprometeu a função sacramental do corpo e o seu significado “Esponsal”. 

Questões para o aprofundamento pessoal 

1. Faça a diferença entre união conjugal e união sexual no exercício do matrimônio de Maria e José e indique os valores deste matrimônio segundo Santo Agostinho. 

2. Indique com suas palavras por que este matrimônio é especial?

Um Matrimônio Verdadeiro e Conveniente

Visto que o matrimônio tem a sua importância na ordem da criação, ele também encontra-se na ordem da redenção que tem o seu fundamento na encarnação. Santo Tomás considera o matrimônio de Maria e José afirmando que o nascimento de Cristo de uma Virgem esposa foi conveniente para ele próprio, para a mãe e para nós. Para Jesus para que ninguém tivesse motivo de renegá-lo como ilegítimo. Para que a sua genealogia seguisse segundo o costume a linha masculina. Para que o menino Jesus fosse defendido das insídias do diabo. Para que José providenciasse o sustento de Cristo. A respeito da Virgem o matrimônio foi conveniente para que ela fosse preservada da pena de lapidação, para que fosse livre da infâmia e para que José lhe fosse de ajuda. A respeito a nós foi conveniente porque o testemunho de José garante que Cristo nasceu de uma Virgem, como também para tornar mais crível as palavras da Virgem ao afirmar a sua própria virgindade. Porque tal matrimônio é símbolo da Igreja Católica Universal. Porque na pessoa da mãe de Jesus, esposa e virgem, vem honrada a virgindade e o matrimônio.

Quanto ao matrimônio de Maria e José, este foi verdadeiro, afirma Santo Tomás, porque houve a indivisível união deles que os obrigou a manter-se fiéis um ao outro. O matrimônio entre eles foi verdadeiro porque ambos consentiram a união conjugal, embora não consentiram a união sexual, a não ser sob a condição; se fosse a vontade de Deus. O matrimônio enquanto união sexual não foi consumado, mas houve nele a educação da prole, ou seja, de Jesus. 

Ao comentar Mt 1,16 (Esposo de Maria) Santo Tomás afirma que o matrimônio de Maria e José foi verdadeiro porque nele existiram os três bens do matrimônio: a prole, o próprio Deus; a fidelidade, porque não houve adultério, e o sacramento, porque houve a indivisível união deles. 

Não se pode concluir, com o intuito de negar este matrimônio, que com a expressão “nascido de mulher” (Gal 4,4), o apóstolo Paulo queira afirmar Maria como uma mãe solteira, ainda que virgem. De fato, a Carta às famílias de João Paulo II, do ano 1994 afirma que “Jesus entrou na história dos homens através de uma família... um caminho do qual o ser humano não pode separar-se”(Nº 2) e o Filho de Maria é também o Filho de José, em virtude do vínculo matrimonial que os une” (RC 7). 

É devido a validade do matrimônio de José com Maria que Jesus entra na genealogia que de Abraão passa por Davi, passando por Jacó que gerou José, o esposo de Maria, da qual nasceu Jesus, chamado o Cristo. 

São José participou como nenhuma outra pessoa humana, com exceção de Maria, do mistério da encarnação de Jesus. Ele foi o depositário do mesmo amor pela qual potencia o eterno Pai que nos predestinou a sermos os seus filhos adotivos por obra de Jesus Cristo (RC 1). José participou do mesmo mistério salvífico e do mesmo amor e esta sua participação é fundamental para compreender a importância de sua pessoa e de sua missão. Ele participou deste mistério juntamente com Maria, também se a sua maternidade não dependia dele; Maria portanto, não pode ser separada dele. “O mensageiro dirige-se a José como ‘esposo de Maria’; dirige a quem, a seu tempo, deverá por tal nome ao Filho que vai nascer da Virgem de Nazaré, desposada com ele” (RC 3). 

Do mistério divino escondido nos séculos na mente de Deus (Ef 3,9) José é juntamente com Maria, o primeiro depositário. Ele, juntamente com Maria participa desta fase culminante da auto-revelação de Deus em Cristo. “Desde o momento da Anunciação, José, juntamente com Maria, encontrou-se em certo sentido, no íntimo do mistério escondido desde todos os séculos em Deus e que se tinha revestido de carne” (RC 15). 

Segundo Santo Tomás, como já referimos, o matrimônio de José e Maria é verdadeiro, e para isso ele distingue no matrimônio as duas perfeições: uma no que diz respeito a essência e a outra ao uso; assim não se pode cair no equívoco confundido união conjugal com união sexual, quase que ambas estivessem no mesmo nível. Para fortificar esta posição, lembramos novamente Santo Agostinho em sua reflexão iluminante quando contra o pelagiano Juliano, que negava a existência do matrimônio, se este não fosse consumado. Para defender a verdade do matrimônio Agostinho afirma o verdadeiro matrimônio de José e Maria, propondo a essência da união dos ânimos. Ele afirma que José é esposo de Maria, sua esposa, na continência não pela união carnal, mas por afeto, não pela união dos corpos, mas, e é o que vale mais, pela comunhão dos ânimos. E conclui que como era castamente esposo, assim era castamente marido. Assim, o vínculo matrimonial não é rompido pela decisão consensual de absterse do uso do matrimônio, “Aliás, será tanto mais estável, quanto mais o mútuo acordo deles foi tomado não na base do prazeroso liame dos corpos, mas dos voluntários afetos dos ânimos” (De Nuptiis et concupiscentia, 1,11,12; PL 44,420-421).

Em outras palavras, a razão deste raciocínio é que “não é a paixão que a torna esposa, mas o amor conjugal... Não se deve portanto negar que sejam marido e mulher aqueles que não se unem carnalmente, mas se unem com os corações (Sermo 51,13,21; PL 38,344).

Santo Agostinho ensina por fim, que o exemplo do matrimônio de José e Maria mostra magnificamente aos cônjuges que eles “praticando por mútuo acordo a continência, o matrimônio pode permanecer e ser chamado como tal, se é conservado o afeto da mente, embora sem a união sexual do corpo” (De Consensu Evangelista rum 2,1,2: PL 34,1074).

Em vista do verdadeiro matrimônio entre ambos, segue que entre eles houve uma união envolvente e inseparável. José juntamente com Maria e também em relação com Maria, “participa da fase culminante da auto revelação de Deus em Cristo e participa desde o primeiro início”. Ele é o primeiro colocado por Deus sobre o caminho da peregrinação da fé de Maria. Estas são afinações de Redemptoris Custos. 

José não está simplesmente ao lado de Maria como um mudo testemunho do mistério, mas participa profundamente dele. Esta sua participação e união passa fundamentalmente através do matrimônio deles. 

Quando o anjo dirige a José com as palavras: “Não temas de tomar consigo Maria, tua Esposa, porque o que nela foi gerado é obra do Espirito Santo” (Mt 1,20), dirigiu-se como ao esposo de Maria e aquilo que se realizou em Maria por obra do Espírito Santo exprime ao mesmo tempo, uma especial confirmação do liame esponsal já existente antes entre eles; portanto, o seu casamento com Maria deuse por vontade de Deus. Obediente, José toma, sem excitar, Maria como sua esposa e não a conhece (Mt 1,25), respeitando o pleno projeto de Deus sobre ela, e assim ambos vivem juntamente e integralmente a experiência do dom recíproco. O chamado de Deus para que José tomasse Maria como sua esposa, na qual, com sua maternidade, manifestou a obra do Espírito Santo, exprime que o amor de homem presente em José, é regenerado pelo Espírito Santo. O coração de José, “Obediente ao Espírito Santo, encontra próprio nele a fonte do amor”, do seu amor esponsal de homem. 

É em virtude do matrimônio com Maria que José desenvolveu a sua tarefa de pai e Jesus era, com pleno direito, reconhecido por todos como “Filho de José” (Lc 2,23), não obstante a sua concepção virginal (Mt 1,18-25; Lc 1,35). Jesus, portanto, é considerado dentro de seu natural quadro familiar, onde os pastores vão à gruta e encontram “Maria, José e o Menino” (Lc 2,16). Jesus é apresentado no Templo pelos seus pais (Lc 2,22). São seu pai e sua mãe a maravilhar-se do quanto se é dito sobre o menino (Lc 2,33). Será com seus pais que Jesus aos doze anos vai à Jerusalém pela Páscoa (Lc 2,41-42). Como também desligando-se deles permanecerá na cidade (2,43). Será Maria que dirá a Jesus: “Olha que o teu pai e eu aflitos te procurávamos” (Lc 2,48). Será em Nazaré que Jesus viverá submetido aos seus pais (Lc 2,51). Portanto, houve entre José e Maria um verdadeiro matrimônio, também se característico, devido à sua singularidade de não gerar a prole, mas de acolhê-la e educá-la. Foi um matrimônio decretado por Deus em vista do nascimento conveniente de seu Filho, justamente porque Jesus acolhido neste matrimônio nascia no tempo, mas tinha a origem eterna, e por isso, não podia esse matrimônio a determiná-la, como sucede com cada ser humano. Por isso como afirmamos, e Santo Tomás esclarece, este matrimônio “foi ordenado especialmente para esta finalidade, ou seja, que a prole (Jesus) fosse neste acolhida e educada” (S. Th. IV sent, dist 30,q. 2 a 2 ad 4).

de bens, por isso se Deus deu José como esposo à Maria, “deu-lhe não apenas para ser companheiro de vida, testemunha de sua virgindade, tutor de sua honestidade, mas também para que participasse pelo fato do pacto conjugal da sua excelsa grandeza” (Enc. Quamquam Pluries, 15/08/1889). 

Se é verdade que Maria “abraçando com toda disposição e sem nenhum peso do pecado, a vontade salvífica de Deus, ela consagrou totalmente a si mesma como serva do Senhor à pessoa e à obra do seu Filho, servindo o mistério da redenção sob ele e com ele, com a graça do Deus Onipotente”, como afirma a Igreja (LG 56), também José ao lado de Maria, mediante o liame conjugal de sua excelsa dignidade e santidade e dentro da Sagrada Família, teve por uma ordem divina a tarefa de cuidar da pureza de Maria, de guardar a divindade de Jesus e de tutelar o mistério da redenção; “Toda a santidade de José, está no cumprimento fiel até ao escrúpulo desta missão”. De fato, São José se distingue, como afirma o Papa Paulo VI, em “ter feito da sua vida um serviço, um sacrifício, ao mistério da Encarnação e à missão redentora com o mesmo inseparavelmente ligada; em ter usado da autoridade legal, que lhe competia em relação à Sagrada Família, para lhe fazer o dom total de si mesmo, de sua vida e de seu trabalho; e em ter convertido a sua vocação humana para o amor familiar na sobre-humana oblação de si, do seu coração e de todas as capacidades, no amor que empregou ao serviço do Messias germinado na sua casa”.

Os teólogos ao analisarem tanto o texto de Mateus como de Lucas sobre o relato de como aconteceu o nascimento de Jesus, descrevem José como marido (Anêr) de Maria, enquanto que Maria é descrita como jovem (Gynê) e noiva (Mnesteùo). Estas diferenças não têm muita importância, pois para os hebreus o noivado ou casamento constituía o início de um autêntico matrimônio, coisa que é atestada também por Filon (De legibus specialibus, 3,12.72), assim como também na Bíblia, como por exemplo em Dt 29,7 e sobretudo Dt 22,22-25, onde se estabelece que a mulher fosse lapidada, seja ela casada ou solteira, se fosse apanhada em adultério. Portanto, para os evangelistas Mateus e Lucas não há a preocupação se no momento da encarnação do Verbo ambos eram casados ou apenas noivos, pois na verdade já existia um verdadeiro matrimônio. 

Questões para o aprofundamento pessoal 

1. Por que o matrimônio de Maria e José foi conveniente? 

2. Por que, segundo Santo Agostinho este matrimônio foi verdadeiro? 

3. Dê ao menos uma razão da necessidade de José ao lado de Maria neste matrimônio.

A Idade de José quando Se Casou com Maria

É comum apreciarmos a cena do casamento de José com Maria onde ele é representado como um velho, fruto da invenção dos apócrifos em faze-lo um esposo decrépito de Maria, a fim de eximi-lo de qualquer que fosse a responsabilidade na concepção virginal de Maria. Esta idéia foi bem acolhida especialmente por alguns Padres do Oriente como Santo Epifânio, São João Damasceno, São João Crisóstomo, além de dominar depois em nível popular na arte, na escultura, no teatro religioso, etc., sempre apresentando-o velho, careca ou com poucos cabelos brancos, numa atitude que representava mais um servo de Maria do que seu digno esposo. 

Uma reação a esta concepção errada e injusta só chegou com Gerson (1363- 1429), o qual passou a exaltar a grande missão de José como esposo de Maria semelhante a ela nos dons e virtudes (L.Martin Gonzáles, Iconografia de São José, sus fuentes – Estudios Josefinos, 26 [1972] pg 203-212). Após Gerson os escritores começaram a atribuir a José uma idade madura, de um homem cheio de sabedoria, portanto com a média de idade dos 40 anos para cima. Assim escreveram autores como F. Suárez (1548-1617) que atribuía a José a idade entre 30 a 40 anos, ou como Jerônimo Graccián, que lhe atribuía a idade entre 40 a 50 anos. O mesmo seguiram grandes pintores como El Greco, Rafael e inúmeros outros, assim como alguns escultores. 

Naturalmente as razões para negar uma idade avançada a José, como esposo a partir de então, foram que se ele fosse muito velho seria um homem incapaz de gerar filhos, tanto que nem poderia defender Maria de eventuais calunias de adultério e nem Jesus de ser um filho adulterino. Além disso, não poderia desenvolver suas funções de pai nas diversas circunstâncias como a viagem de Nazaré a Belém e depois ao Egito com o retorno para Nazaré. Acrescenta-se ainda que teria dificuldade de prover as necessidades naturais para Jesus e Maria, pois teria suas forças físicas debilitadas. 

É interessante levar em consideração a intenção banal dos apócrifos de que se José não fosse velho, seria-lhe impossível conviver castamente com Maria, sua jovem esposa; uma idéia inclusive ofensiva a esse homem dotado de uma graça especialíssima de Deus. Face a isso, segundo o conhecimento e as fontes de que hoje dispomos, e que os antigos escritores não tinham, é consenso comum atribuir a José aquela idade que era própria para um jovem hebreu casar-se, ou seja, entre os 18 a 25 anos (H.Haag, Diccionario de la Biblia, 1963 – voz matrimonio, col 1199).

Questões para o aprofundamento pessoal 

1. Por que São José por muitos séculos foi visto como uma pessoa velha em relação à Maria? 

2. Qual a idade verdadeira a ser atribuída a José como esposo e por quê?  


Maria e José, Rogai por nós.

A Virgindade de São José

 A Virgindade de São José


Podemos dizer que um esposo e uma esposa são castos vivendo moralmente o relacionamento conjugal (sexual) dentro do matrimônio, contudo, são virgens somente quando se abstém, por causa do Reino dos Céus, do exercício consciente do sexo. José assim como Maria foram virgens em vista do serviço à encarnação. Santo Agostinho afirma: “Como Maria foi mãe sem a concupiscência carnal, assim José foi pai sem ter relação sexual...”. Da mesma forma, São Beda enfatiza que: “não apenas a Mãe de Deus, mas também São José, testemunho beatíssimo e guarda de sua castidade, foi totalmente imune de qualquer ato conjugal”, Ainda São Pedro Damiano (+1072) diz: “É fé da Igreja que não apenas a mãe de Cristo foi virgem, mas também aquele que foi tido como seu pai” (De Coelibatu sacro, 3 ML 145,384).

 Na verdade são inúmeros os autores antigos e também modernos que defendem a perpétua virgindade de São José, contudo não faltam também autores, inclusive católicos, que chegam a afirmar que o Cristo poderia inclusive ter sido concebido segundo as leis de todo matrimônio e que isto não ofuscaria o mistério da encarnação (Nuñoz Iglesias, La concepción virginal de Cristo en los evagelios de la infancia; “Estudios biblicos, 37 [1978] pg 213 – 241). 

É claro que Santo Ambrósio e Santo Hilário negaram a virgindade de José, mas influenciados pela necessidade de explicar literalmente os textos do evangelho que falam dos “irmãos” e “irmãs” de Jesus, atribuindo estes a José como fruto de um matrimônio precedente àquele com Maria, como relataram alguns apócrifos (De Santos Otero, Los evangelios apócrifos, Madrid 1956 - Protoevangelio de Santiago, 9, 2 pg 162; Evangelio del pseudo - Matteo, 8,4, pg 212; História de José el Carpinteiro 2,pg 362). Já São Jerônimo nega que os irmãos do Senhor sejam filhos de José como frutos de um casamento anterior, mas sim que estes eram primos dos Senhor. Na verdade a língua hebraica não tinha uma palavra adequada para designar a parentela entre os primos. 

No Antigo Testamento a palavra “irmão” tem o mesmo significado de sangue e de afetos; basta dizer que São Paulo usa aproximadamente 130 vezes a palavra irmão para todos os cristãos. É natural portanto que Jesus em Nazaré tivesse parentes, primos, que eram chamados simplesmente de irmãos. É necessário ainda salientarmos que em Mt 1,25 se lê: “E, sem que ele a tivesse conhecido, ela deu à luz o seu filho, que recebeu o nome de Jesus”. Ora, a palavra “conhecer” na bíblia tem significado de união sexual sempre que se refere ao relacionamento conjugal. Isto significa que José não teve relacionamento sexual com Maria. Contudo, Elvídio (século V) e alguns outros, concluíram com esta a afirmação de Mateus, que José “a conheceu depois do parto do primogênito”, posição esta negada por São Jerônimo e também São João Crisóstomo, o qual argumenta que: “sem que ele a conhecesse não indica de fato que a conheceu em seguida, mas simplesmente que a Virgem permaneceu intacta no parto” (Adv Helvidium 7 e 8: ML 23, 191 – 192). Alguns têm se baseado no texto de Lc 2,7 “E deu à luz seu filho primogênito, e envolvendo-o em faixas, reclinou-o num presépio; porque não havia lugar para eles na hospedaria”, para dizer que Maria teve outros filhos e que portanto José teve relações com ela, mas São Jerônimo explica: “Cada primogênito é primogênito... Este não é só apenas o primeiro entre outros, mas simplesmente o primeiro”. Primogênito é aquele que nasce por primeiro de sua mãe, tenha ou não outros filhos depois.

 São José foi escolhido por Deus como esposo de Maria, Virgem e Mãe de Deus; portanto, a sua presença na vida de Maria não se deveu a um simples jogo de circunstâncias, mas foi resultado de uma preciosa intervenção de Deus. O matrimônio de José com Maria foi destinado para acolher e educar Jesus, assim comportava necessariamente a máxima expressão de união conjugal, ou seja, o grau supremo do dom de si. Em conseqüência, podemos aceitar que a virgindade dentro desse casamento não só não comprometeu a essência desse matrimônio e da paternidade, mas a evidência e a defende, segundo o dúplice axioma agostiniano "esposo tanto mais verdadeiro quanto mais casto, dai tanto mais verdadeiro quanto mais casto".

 Questões para o aprofundamento pessoal 

1. Por que alguns negaram a virgindade de José?

2. O voto de virgindade de Maria e José comprometeu o matrimônio deles? Por quê?


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