sábado, 30 de novembro de 2024

O que foi o Concílio Vaticano II?

O que foi o Concílio Vaticano II? 

O Vaticano II foi aberto pelo Papa João XXIII, em 11 de outubro de 1962. João XXIII morreu no ano seguinte; mas o seu Sucessor, Paulo VI, continuou o Concílio e encerrou-o em 8 de dezembro de 1965.


O Concílio durou mais de três anos sem interrupção?

O Concílio Vaticano II compreendeu quatro sessões de menos de três meses, entre as quais, os Bispos retornavam às suas dioceses.

A primeira sessão (11 de outubro a 08 de dezembro de 1962) – a única que se deu no pontificado de João XXIII – não promulgou nenhum documento: empregaram-se, sobretudo, a descartar o trabalho da Comissão Preparatória.

Qual é o lugar de Vaticano II dentre os outros Concílios?

O Vaticano II foi o 21º Concílio Ecumênico. Foi, quanto ao número de participantes, o mais importante de toda a História: dois mil bispos, nele, se reuniram.

Em que o Vaticano II difere dos Concílios anteriores?

O Concílio Vaticano II declarou não querer ser mais que um “Concílio pastoral”, que não define as questões de Fé, mas que dá diretivas pastorais para a vida da Igreja.

Renunciou à definição de dogmas e, assim, à infalibilidade que pertence a um Concílio. Seus documentos não são, portanto, infalíveis.

Quais são os objetivos ordinários de um Concílio?

Na sua carta de convocação do primeiro Concílio do Vaticano, Pio IX indica que os Concílios Gerais foram, sobretudo, convocados “nas épocas de grandes perturbações, quando calamidades de todo gênero se abatiam sobre a Igreja e sobre os povos.”

Todos os Concílios Ecumênicos do passado foram convocados para vir ao encalço de uma heresia (é, notadamente, o caso dos sete primeiros), ou para corrigir um mal então dominante (simonia, cisma, corrupção do clero, etc.).

Pio IX resume assim os principais fins de um Concílio:

“Decidir, com prudência e sabedoria, tudo o que poderia contribuir para definir os dogmas da Fé; para condenar os erros que se espalham insidiosamente; para defender, colocar à luz, explicitar a Doutrina Católica; para conservar e reorganizar a disciplina eclesiástica; para corrigir os modos corrompidos da população” [69].

Nunca houve, então, outro Concílio “pastoral” antes de Vaticano II?

Todos os Concílios da Igreja foram pastorais. Mas o foram, definindo os dogmas; desmascarando os erros; defendendo a Doutrina Católica, e lutando contra as desordens disciplinares e morais.

A originalidade de Vaticano II foi a de querer ser “pastoral” de uma maneira nova, recusando-se a definir dogmas, a condenar os erros e, mesmo, a apresentar a Doutrina Católica de modo defensivo.

Vaticano II não promulgou documentos dogmáticos?

Vaticano II promulgou dezesseis textos: nove decretos, três declarações e quatro constituições. Dentre estas, duas são ditas “Constituições Dogmáticas”: Lumen Gentium (sobre a Igreja) e Dei Verbum (sobre a Revelação). Isso não significa que tenham proclamado dogmas ou que sejam infalíveis; mas, apenas, que tratam de uma matéria referente ao dogma.

Vaticano II se recusou a definir o que quer que seja de modo infalível; Paulo VI o sublinhou explicitamente, em 12 de janeiro de 1966, algumas semanas depois de seu encerramento:

“Tendo em vista o caráter pastoral do Concílio, este evitou proclamar de modo extraordinário dogmas dotados da nota de infalibilidade”.

A “pastoralidade” de Vaticano II caracteriza-se pela adaptação da Igreja ao nosso tempo?
Todos os Concílios adaptaram a Igreja ao seu tempo. Mas o fizeram, anatematizando os erros do dia; punindo os desvios morais ou disciplinares da época; armando a Igreja contra seus inimigos.

A adaptação não visava a se conformar ao século; mas a mais bem lhe resistir. Não se tratava de agradar ao mundo; mas de o confrontar e de o vencer, para agradar a Deus.

João XXIII e Paulo VI procuraram, ao contrário, tornar a Igreja Católica sedutora para o homem moderno.

João XXIII e Paulo VI exprimiram essa intenção?

João XXIII declarou em 14 de fevereiro de 1960:

“O fim primeiro e imediato do Concílio é o de apresentar ao mundo a Igreja de Deus, no seu perpétuo vigor de vida e de Verdade, e com sua legislação adaptada às circunstâncias presentes, de modo a ser sempre mais conforme à sua divina missão e estar sempre mais pronta para as necessidades de hoje e de amanhã. Em seguida, se os irmãos que se separaram e que ainda estão divididos entre si virem se concretizar o comum desejo de unidade, poderemos lhes dizer então, com uma viva emoção: é a vossa casa; a casa daqueles que trazem o sinal de Cristo.” [70]

O Cardeal Montini, futuro Paulo VI, declarava em abril de 1962:

“A Igreja se propõe, pelo próximo Concílio, a entrar em contato com o mundo (...) Ela se esforçará para ser (...) amável em sua linguagem e na sua maneira de ser”.

E, durante o Concílio, Paulo VI afirmava na sua Encíclica Ecclesiam Suam:

“A Igreja poderia se propor a realçar os males que podem se encontrar no mundo, a pronunciar anátemas e suscitar cruzadas contra eles (...); parece-nos, ao contrário, que a relação da Igreja com o mundo (...) pode se exprimir melhor sob a forma de um diálogo” (§80)

Vaticano II se quis, desde o início, portanto, como um Concílio de abertura e de diálogo?

De fato, os membros da Comissão Preparatória estabelecida por João XXIII pensavam dever organizar um Concílio normal. Fizeram um enorme trabalho para esboçar esquemas que pudessem servir de base aos debates conciliares. Mas, durante esse tempo, o Secretariado para a Unidade dos Cristãos, igualmente estabelecido por João XXIII (em junho de 1960), trabalhava num outro sentido.

Finalmente, a verdadeira intenção de João XXIII prevaleceu: no início do Concílio, livraram-se dos esquemas preparatórios, julgados demasiado “doutrinais”, e o Concílio se comprometeu com a via preparada pelo Secretariado para a Unidade.

Notas:

[69] “(...) Ea omnia provide sapienterque constituerent quae ad fidei potissimum dogmata definienda, ad grassantes errores profligandos, ad catholicam propugnandam, illustrandam et evolvendam doctrinam, ad ecclesiasticam tuendam ac reparandam disciplinam, ad corruptos populorum mores corrigendos possent conducere.” Pio IX, Bula de intimação e de convocação do primeiro Concílio do Vaticano, de 29 de junho de 1868, AAS, 1868, vol.IV, p.5.

[70] “Scopo primo Ed immediato Del Concilio è di ripresentare al mondo La Chiesa di Dio nel suo perenne vigore di vita e di verità, e com La sua legislazione aggiornata(...)” João XXIII, discurso ao Conselho Geral da Ação Católica italiana, em 14 de fevereiro de 1960. Acta et documenta concilio oecumenico Vaticano II apparendo, series I (antepraeparatoria), vol I (acta Summi Pontificis Joannis XXIII), p.74. Ver também o discurso de 03 de agosto de 1959, DC nº 1311 (1959), col. 1099.


Pode-se desobedecer o Papa?

 Pode-se desobedecer o Papa?


É lícito resistir a um Papa que queira destruir a Igreja. Dizem as Escrituras, os Santos e os teólogos: 


"Se alguma autoridade nos ordena algo reprovável, “deve-se obedecer antes a Deus que aos homens.” (At 5, 29) 

“Aquele que faz o mal sob o pretexto de obediência, faz antes um ato de rebeldia do que de obediência. Faz uma inversão das coisas: deixa de obedecer a Deus, para obedecer aos homens.” (São Bernardo de Claraval. Cf. Oeuvr Completes de S. Bernard, Charpentier, Tomo I, Episto VII) 

"Não devemos perder de vista a Tradição, a Doutrina e a fé da Igreja Católica, tal como o Senhor ensinou, tal como os Apóstolos pregaram e os Santos Padres transmitiram. De fato, a Tradição constitui o alicerce da Igreja, e todo aquele que dela se afasta deixa de ser cristão e não merece mais usar esse nome." (Santo Atanásio)

“Nenhum preceito tem força de lei a não ser por sua ordem ao bem comum. Toda lei se ordena para a comum salvação dos homens e somente daí tem força e razão de lei, e, na medida em que falta a isso, não tem força de obrigar.” (São Tomás de Aquino)

“Na defesa da fé, um simples leigo tem ‘de certo modo’ a mesma dignidade que um Papa.” (São Tomás de Aquino)

“Muitos se enganaram redondamente (...) os quais julgaram que ela (a obediência) consistia em fazer a torto e a direito tudo o que nos pudesse ser mandado, ainda que fosse contra os mandamentos de Deus e da Santa Igreja.” (São Francisco de Sales)

“É aprovar o erro não lhe resistir, é sufocar a verdade não a defender (...) Todo aquele que deixa de se opor a uma prevaricação manifesta pode ser tido como um cúmplice secreto.” (Papa São Félix III, citado por Leão XIII)

“A Igreja Católica não é uma sociedade em que se aceita aquele princípio imoral e despótico pelo qual se ensina que a ordem do superior em qualquer caso exime (os súditos) da responsabilidade pessoal.” (Declaração do Conjunto dos Bispos alemães, confirmada pelo Beato Papa Pio IX)

“Desde que falta o direito de mandar ou o mandato é contrário à razão, à Lei eterna, à autoridade de Deus, então é legítimo desobedecer aos homens a fim de obedecer a Deus.” (Papa Leão XIII)

“Se o Papa baixar uma ordem contrária aos bons costumes, não se há de obedecer-lhe; se tentar fazer algo manifestamente contrário à justiça e ao bem comum, será lícito resistir-lhe.” (Suárez)

“É lícito resistir ao Pontífice que tentasse destruir a Igreja. Digo que é lícito resistir-lhe não fazendo o que ordena e impedindo a execução de sua vontade.” (São Roberto Belarmino)

"Assim como é lícito resistir ao Pontífice que agride o corpo, é também lícito resistir ao que agride as almas ou que perturba a ordem civil, ou, acima de tudo, que tenta destruir a Igreja. Digo que é lícito resistir-lhe, não fazendo o que ele ordena e impedindo que as suas ordens sejam executadas; não é lícito, porém, julgá-lo, castigá-lo ou depô-lo, porque estes actos competem a um superior." (São Roberto Belarmino)

“Quando o Soberano Pontífice fulmina uma sentença de excomunhão que é injusta ou nula, não devemos recebê-la.” (São Roberto Belarmino)

“Agora o inimigo não está fora da Igreja, mas dentro dela mesmo. O inimigo está nos seminários, ele infiltrou-se nos seminários, entre os professores dos seminários." (São Pio X)

“Pela fé vem a justificação, desde que seja verdadeira e sincera, não falsa e afetada. A fé dos heréticos não conduz à justificação, pois não é verdadeira, é falsa; a fé dos maus católicos não conduz à justificação por que não é sincera, mas afetada. É afetada de duas maneiras: quando nós não acreditamos realmente, mas somente fingimos acreditar; ou quando, apesar de acreditar, não é vivida, como acreditamos que deve ser. Nestas duas situações é que as palavras de São Paulo na epístola a Tito devem ser compreendidas: Afirmam conhecer a Deus, mas negam-no com seus atos (Tt 1, 16a)." (São Roberto Belarmino)

“Se, como absolutamente não cremos, escolherdes uma outra via, e vos negardes a confirmar as decisões de nossa paternidade, valha-nos Deus, pois assim nos estareis afastando de vossa obediência.” (São Godofredo de Amiens e São Hugo de Grenoble, juntamente com outros bispos reunidos no Sínodo de Vienne, em resistência ao Papa São Pascoal II)

“Um Papa que é um herege manifesto por esse fato (por si só) deixa de ser papa e a cabeça, e ele deixa de ser um cristão e um membro da Igreja. Por isso, ele pode ser julgado e punido pela Igreja. Este é o ensinamento de todos os antigos Padres que ensinam que hereges manifestos perdem imediamente toda jurisdição.” (São Roberto Belarmino, Cardeal e Doutor da Igreja, de Romano Pontifice)

“Anatematizamos [o Papa] Honório [I], que não ilustrou esta Igreja Apostólica com a doutrina da Tradição Apostólica, mas permitiu, por uma sacrílega traição, fosse maculada a Fé imaculada (...) e não extinguiu, como convinha à sua autoridade apostólica, a chama insipiente da heresia, mas a fomentou por sua negligência.” (Papa São Leão II)

“Não se pode confundir “a Igreja Católica, Romana, Eterna, com a Roma humana e susceptível de ser invadida por inimigos vestidos de púrpura.” (Dom Lefebvre)

“Somente pelo pecado que cometesse em matéria de fé, poderia eu ser julgado pela Igreja.” (Papa Inocêncio III. "Sermo IV in cons . Pont." P.L 217, 670)

“É necessário obedecer um papa em todas as coisas enquanto não vá contra os costumes universais da Igreja, mas se ele fosse contra os costumes da Igreja, ele não precisa ser seguido.” (Papa Inocêncio III)

“O Papa (...) por ninguém deve ser julgado, a menos que se afaste da fé.” ("Decretum" de Graciano. Pars I, dist. 40 cap VI, Cânon "Si Papa")

“Se um futuro Papa ensinar algo contrário à Fé Católica, não o sigam.” (Pio IX, Carta ao Bispo Brizen, citado em "In His Name E. Christopher Reyes 2010)

“Honório foi anatematizado pelos orientais, mas deve-se recordar que ele foi acusado de heresia, único crime que torna legítima a resistência dos inferiores aos superiores, bem como a rejeição de suas doutrinas perniciosas” (Papa Adriano II. Alloc. III lect. In Conc. VIII act. VII – citado por Billot, "Tract. De Eccles. Christi", tom I, p. 619)

“São Godofredo de Amiens, Santo Hugo de Grenoble e outros Bispos reunidos no Sínodo de Vienne(1112) enviaram ao papa Pascoal II as decisões que adotaram, escrevendo-lhe ainda: "Se, como absolutamente não cremos, escolherdes uma outra via, e vos negardes a confirmar as decisões de nossa paternidade, valha-nos Deus, pois assim nos estarei afastando de vossa obediência” (Guido de Vienne,futuro Calixto II. Citado por Bouix, "Tract. De Papa", tom. II, p. 650)

“Aos prelados (foi dado exemplo) de humildade, para que não se recusem a aceitar repreensões da parte de seus inferiores e súditos; e aos prelados, sobretudo quando o crime for público e redundar em perigo para muitos (...). A repreensão foi justa e útil, e o seu motivo não foi leve; tratava-se de um perigo para a preservação evangélica (...). O modo como se deu a repreensão foi conveniente, pois foi público e manifesto. Por isso São Paulo escreve: "Falei a Cefas", isto é Pedro, "diante de todos", pois a simulação praticada por São Pedro acarretava perigo para todos.” (Santo Tomás de Aquino, estudando o episódio em que São Paulo repreendeu a São Pedro. Cfr. Gal. II, 11-14, ad Gal., II, 11-14, lect. III, nn. 77, 83-84)

“Havendo perigo próximo para a fé, os prelados devem ser argüidos, até mesmo publicamente, pelos súditos.” (Santo Tomás de Aquino. Sum. Teol. II-II.ª, XXXIII, IV, ad 2)

“Quando o pastor se transforma em lobo, é ao rebanho que, em primeiro lugar, cabe defender-se. Normalmente, sem dúvida, a doutrina desce dos Bispos para o povo fiel, e os súditos, no domínio da Fé, não devem julgar seus chefes. Mas há, no tesouro da Revelação, pontos essenciais, que todo cristão, em vista de seu próprio título de cristão, necessariamente conhece e obrigatoriamente há de defender.” (Dom Guéranger. L’Année Liturgique, festa de São Cirilo de Alexandria, pp. 340-341)

“E deste segundo modo o Papa poderia ser cismático, caso não quisesse ter com todos o corpo da Igreja a união e a conjunção devida, como seria (...) se quisesse subverter todas as cerimônias eclesiásticas fundadas em tradição apostólica.” (Suarez. "De Caritate", disp. XII, sect. I, nº 2, pp. 733-734)

“Se (o Papa) baixar em ordem contrária os bons costumes, não se há de obedecer-lhe; se tentar fazer algo manifestamente oposto à justiça e ao bem comum, será lícito resistir-lhe (...)” (De Fide, dist. X, sect. VI, nº 16)

“Quanto ao axioma 'Onde está o Papa está a Igreja', vale quando o Papa se comporta como Papa e chefe da Igreja; caso contrário, nem a Igreja está nele, nem ele está na Igreja.” (Cardeal Journet. Caietano, II-II, 39,1. L’Elglise du Verbe Incarné", vol. II, pp. 839-840)
“A obediência cega não é católica; ninguém está isento da responsabilidade por ter obedecido aos homens mais que a Deus, aceitando ordens duma autoridade superior, seja ela do Papa, se se revelam contrárias à vontade de Deus tal como a Tradição no-la faz conhecer com certeza. Não se poderia considerar uma tal eventualidade, certamente, quando o Papa compromete sua infalibilidade, mas ele não o faz senão num número reduzido de casos. É um erro pensar que toda a palavra saída da boca do Papa é infalível.” (Dom Lefebvre. Carta Aberta aos Católicos Perplexos)

“No dia do juízo, Deus nos perguntará se temos sido fiéis e não se temos obedecido às autoridades infiéis. A obediência é uma virtude relativa à Verdade e ao Bem. Não é uma virtude, mas um vício, se ela se submete ao erro e ao mal.” (Dom Lefebvre, carta de 9 de agosto de 1986)

“A obediência é tão importante para o cristão que, se um anjo de luz viesse ensinar doutrina contrária ao ensino tradicional da Igreja, qualquer um de nós tinha o direito de cuspir-lhe no rosto, porque este anjo não seria nem mais nem menos do que o demônio mascarado.” (Padre Cicero Romão Batista)

E na Ladainha de todos os Santos reza a Igreja:

“Que Vos digneis conservar na Santa Religião o Sumo Pontífice e todas as Ordens da Hierarquia Eclesiástica, nós Vos rogamos, ouvi-nos, Senhor!”

Sendo assim, é possível que o Papa se afaste da Santa Religião e pois da Fé.

A infalibilidade papal

A infalibilidade papal é exercida quando o Papa se pronuncia "ex- cathedra", isto é, oficialmente como sucessor de Pedro em sua cátedra, como Bispo de Roma e soberano da Igreja Católica.

As condições para o exercício do carisma da infalibilidade, de acordo com o dogma estabelecido pelo Concílio Vaticano I, em 1870, são quatro:

1. Que o Soberano Pontífice se pronuncie como sucessor de Pedro, usando os poderes das chaves, concedidas ao Apóstolo pelo próprio Cristo;

2. Que se pronuncie sobre Fé e Moral;

3. Que queira ensinar à Igreja inteira;

4. Que defina uma questão, declarando o que é certo, e proibindo, com anátema, que se ensine a tese oposta.

Para exercer um ato infalivelmente, em qualquer documento ou forma de pronunciamento - seja numa encíclica ou num decreto especial, bula, constituição apostólica etc. – o Papa precisa deixar claro que o faz nessas quatro condições acima citadas.

O discurso do Papa Paulo VI na ONU, no qual ele declara que lá se pronunciava como doutor em humanidades, não é infalível, porque ele não se pronunciou como Papa. Outro exemplo, a encíclica "Fides et Ratio", de João Paulo II diz que fará "considerações filosóficas".. Isso, não torna o documento citado infalível, pois, de novo, ele só se pronuncia como mestre de filosofia. Recentemente, na Encíclica "Amoris lætitia", do Papa Francisco, é um exemplo de um grave erro, especialmente no que diz respeito à possibilidade de comunhão às pessoas que vivem em estado de pecado público, contrariando a Tradição e Fé católica. E por aí vai...

Devemos crer firmemente na infalibilidade pontifícia, como a definiu, o Concílio Vaticano I. Devemos acatar o poder do Santo Padre o Papa, que é supremo, mas não absoluto, nem sem limites. Este poder é limitado pela Sagrada Escritura, Tradição e definições já proferidas pela Igreja no seu magistério perene, ao qual está subordinado e não pode contradizer; não é arbitrário, nem despótico de maneira e deve ser acatado incondicionalmente, ou a eximir os súditos da responsabilidade pessoal.

Obediência incondicional e ilimitada só a Deus devemos

"Salus animarum suprema Lex" – a lei suprema da Igreja é a salvação das almas, dizem os santos padres.

Devemos resistir às autoridades eclesiásticas quando elas não ilustram a doutrina da Tradição Apostólica e permitem que seja maculada a Fé Imaculada, ou seja, quando trabalham na autodemolição da Igreja, e como consequência desta nossa resistência necessária: nós continuamos a conservar a Santa Missa e todos os sacramentos, doutrina e moral tradicionais, conforme e fiel à tradição católica, sem a qual é impossível agradar a Deus, pelo bem da Santa Madre Igreja e pela salvação das almas.




sexta-feira, 29 de novembro de 2024

Posso frequentar a Missa Nova?

 Posso frequentar a Missa Nova?


Pe. Albert Kallio sobre a missa nova. Não é uma questão de missa sem abuso litúrgico, ou bem ou mal celebrada. É uma questão teológica. Fica clara a postura a ter perante uma adulteração tão evidente da Missa Católica.



Para aqueles que não tem missas

 Para aqueles que não tem missas


Nossa angústia permanece por nossos filhos e amigos, exilados de centros tradicionalistas nos quais a missa tradicional é preservada; aqueles que são obrigados por circunstâncias várias a viver longe de padres tradicionalistas e de sacramentos; nossa angústia perene por milhões de fiéis católicos (ou já ex-católicos) que perderam há muitos anos contato com ambientes de fé e sacramentos preservados, sobretudo pela observância tradicional, por padres formados como sempre o foram pela Igreja Católica, idêntica a si mesma pelos séculos afora, essa angústia que nos acompanha sempre, filhos enjeitados por hierarcas furiosamente obstinados contra nós, levou-nos à surpreendente observação relativa às palavras de Nossa Senhora em Fátima como relata Irmã Lúcia, em entrevista, ao Padre Fuentes conforme relato publicado no “O Cruzado de Fátima” (versão em inglês) de Fevereiro/Abril de 1986:

“Padre, a Santíssima Virgem não me disse que nós estamos nos últimos tempos do mundo mas ela me fez entender isso por 3 razões:

A primeira razão é que ela me disse que o demônio está pronto para empenhar-se em batalha decisiva contra a Virgem. Uma batalha decisiva é a batalha final em que um dos lados será vitorioso e o outro sofrerá uma derrota.

Assim, desde já, devemos escolher nosso lado. Ou seremos a favor de Deus ou a favor do diabo. Não há outra possibilidade.

A segunda razão é que ela me disse, assim como meus primos, que Deus está oferecendo dois últimos remédios ao mundo.

Estes dois remédios são o Santo Rosário e a Devoção ao Imaculado Coração de Maria.

Estes serão os dois últimos remédios o que significa que não haverá outros.

A terceira razão é que nos planos da Divina Providência, Deus sempre exaure todos os remédios antes de castigar o mundo.

Quando, porém, ele vê que o mundo não lhes presta qualquer atenção, então... Ele nos oferece, com um “certo receio”, os últimos meios de salvação, isto é, Sua Santíssima Mãe.

Ele o faz com um “certo receio” porque se alguém despreza e repele estes últimos meios, não terá mais perdão dos céus porque terá cometido um pecado que os Evangelhos chamam de pecado contra o Espírito Santo”.

Estas palavras foram transcritas em artigo publicado também pelo jornal Catholic editado em Victoria, Austrália, por alguém que adota o pseudônimo literário de Charles Martel.

Nossa Senhora e o Santo Rosário, os últimos meios de salvação

O autor do artigo, com muita propriedade, pergunta: — “Porque Nossa Senhora oferece, como últimos meios de salvação, a si mesma e ao Santo Rosário e não a Santa Missa?”

A Santa Missa que, acrescentamos nós, autores do porte de Garrigou-Lagrange e muitos outros mestres de espiritualidade nos apresentaram sempre como o centro de nosso dia-a-dia, principal instrumento de nossa santificação?

A razão, prossegue aquele autor, parece ser a previsão de que o “Sacrifício Perpétuo” desapareceria, como parece ser o caso atualmente.

Ele se refere às palavras proféticas de Daniel que foram citadas por Nosso Senhor, Ele mesmo, (Mateus 24, 15) e que podemos encontrar em Daniel 9, 27: “... e, no meio da semana, fará cessar a hóstia e o sacrifício; e estará no templo da abominação da desolação; e a desolação durará até a consumação e o fim (do mundo)”. (o texto entre parêntesis é da Vulgata).

E também em Dan. 11, 31:

“... E estarão ao seu lado os braços que farão cessar o sacrifício perpétuo e porão no templo a abominação da desolação”.
Não temos missas

Ora, em nossos tempos, justamente, percebemos que o sacrifício perpétuo cessou. Não temos missas.

As missas progressistas, ainda que utilizem (nem sempre) textos que não podemos demonstrar serem geradores de missas inválidas, são missas provavelmente inválidas por falta de intenção do sacerdote de fazer o que a Santa Igreja sempre fez e, além disso, constituem ocasião propícia à perda da fé como já assinalamos em artigo publicado em Permanência n° 136-137 em que Mons. Lefebvre formalmente desaconselha a assistência à missa nova mesmo se o sacerdote parece sério, porque esta missa é sempre ocasião próxima e de alto risco de perda de fé.

Assim, hoje, para os que procuram defender a fé, missa tradicional é algo extremamente raro (pelo menos em países como o nosso), jóia preciosa que buscamos com fervor quando podemos.

Mas, ai de nós, para muitos de nós e de nossos filhos, não podemos nada em muitos lugares onde vivemos exilados, privados de sacramentos, de missa, de assistência eclesiástica, porque os padres e bispos progressistas, que julgam que não têm obrigações quanto à fé porque estão — alegam — “unidos ao Papa”, estes nos execram e nos rejeitam sem piedade e sem remorso.

A recitação do Rosário e a devoção ao Imaculado Coração de Maria 

E de quanta angústia se faz nosso dia-a-dia quando vemos os filhos e sobretudo os netos privados de formação religiosa adequada, sem ambiente religioso, sem missa, sem sacramentos! Que Nosso Senhor nos valha. E Ele, como vemos, com a ajuda dos que bem escrevem sobre o assunto, para nos socorrer, para nos consolar, previu, predisse, providenciou com antecedência, o aviso prévio e o socorro prévio: nossos instrumentos de salvação para os últimos tempos serão a recitação do Santo Rosário (ou, pelo menos do terço) e a devoção ao Imaculado Coração de Maria.

Com estes instrumentos seremos santificados, com eles seremos salvos. E que não nos aflija a falta de missa ou sacramentos ou formação religiosa: façamos o que pudermos com aquilo que nos foi dado, lembrando-nos de que é a Nossa Senhora que está confiada nossa assistência nesses tempos apocalípticos e que ela, Mãe e Santificadora nossa, conhece nossas necessidades e foi posta não apenas para socorrer-nos nas coisas fundamentais que dizem respeito à fé mas até mesmo nas pequenas necessidades de nossa vida quotidiana como ficou bem claro na passagem das Bodas de Caná.

É a ela que devemos recorrer, com ela que devemos contar e nela procurar socorro e instrumentos de salvação para aquilo que nos ameaça, para a crise de nossos tempos apocalípticos e para o abandono em que nos encontramos por parte de pastores e hierarcas que nos manifestam sua ojeriza bem claramente.

Não nos pedirá ela mais do que podemos fazer e, ao contrário, nos dará muito mais do que podemos merecer.

Que Nossa Senhora nos socorra.

Imaculado Coração de Maria, sede a nossa salvação.


Júlio Fleichman. Permanência, no. 258-259, Maio-Junho de 1990. 




O Concílio Vaticano II e os carismáticos

  O Concílio Vaticano II e os carismáticos


Vaticano II é plenamente responsável pela introdução do rito pentecostal no seio do Catolicismo.

Não somente porque João XXIII queria, no Concílio, “um novo Pentecostes” [348], ou porque o pastor pentecostalista David du Plessis – que havia tão eficazmente trabalhado na infiltração do “Batismo no Espírito” em todas as confissões protestantes – tivesse sido convidado ao Concílio como “observador” (deve-se a ele a introdução de algumas passagens sobre os carismas nos textos conciliares) [349]; mas, sobretudo, porque foi o decreto de Vaticano II sobre o ecumenismo – Unitatis redintegratio – que levou os católicos da Universidade de Duquesne ao “Batismo no Espírito”.

Como esse decreto pode conduzir católicos ao “Batismo no Espírito”?

Falando das comunidades separadas da Igreja Católica, o decreto Unitatis redintegratio afirma que “o Espírito de Cristo não recusa se servir delas como meios de salvação” [350].

Diz também que “tudo o que é realizado pela Graça do Espírito Santo nos irmãos separados pode contribuir para a nossa edificação”. [351]

Essas passagens foram decisivas para os católicos da Universidade de Duquesne pedirem, aos protestantes, a imposição das mãos, em 20 de fevereiro de 1967. [352]

Como o carismatismo favorece os erros de Vaticano II?

O carismatismo contribui, como Vaticano II:

i) para estimular um falso ecumenismo (o carismatismo nasceu ecumenista);

ii) para confundir, em todos os domínios, a ordem da natureza e a da Graça;

iii) para enfraquecer a autoridade hierárquica querida por Deus;

iv) para esquecer toda parte ascética da vida espiritual.

Como o carismatismo contribui para confundir natureza e Graça?

Querer sentir a ação da Graça (de si não-sensível) é expor-se a confundir Fé e sentimento religioso (assim como os modernistas) [353]; mas também inspiração divina e imaginação; esperança teologal e otimismo; vida da Graça e bem-estar psicológico. A psicologia ocupa, ademais, um lugar muito grande nas comunidades carismáticas. [354]

O que se pode dizer, em definitivo, do rito da efusão do Espírito?

Os próprios carismáticos não sabem muito bem como explicar o rito da efusão do Espírito. Não pode ser um Sacramento, já que Jesus Cristo só instituiu sete.

Veem nele, pois, um caminho de conversão, uma reativação dos Sacramentos do Batismo e da Crisma, ou mesmo uma experiência espiritual.

Mas nenhuma dessas explicações dá conta da eficácia de um rito que parece agir por si mesmo, como um Sacramento.

Pode-se, realmente, comparar essa efusão do Espírito com um Sacramento?

Ao vincular efeitos espirituais a um rito determinado, a efusão do Espírito se assemelha aos Sacramentos. Mas estes transmitem uma Graça não-sensível (deixam-nos na ordem da Fé), enquanto que esse rito pretende fazer sentir a ação de Deus.

Pode-se, então, defini-lo como uma caricatura de Sacramento que transmite, não a Graça de Deus, mas a ilusão sensível dessa Graça.

Sabe-se que o demônio tem o poder de criar essa ilusão naqueles que procuram experimentar, de modo sensível, a ação divina.

É preciso considerar, então, os carismáticos como possuídos pelo demônio?
Todos aqueles que recebem a efusão do Espírito não são, só por esse fato, possuídos pelo demônio; nem mesmo, necessariamente, culpados de pecado mortal (por causa de uma certa ignorância do que fazem).

Mas se abrem, assim mesmo, para uma influência diabólica que os coloca na ilusão, que arrisca falsificar sua vida espiritual e cegá-los tanto para a crise na Igreja, quanto sobre seu dever de estado pessoal.

Alguns abandonam completamente a vida cristã quando, alguns anos depois, as miragens desaparecem.

É necessário atribuir ao demônio as curas e prodígios operados pelos carismáticos?
O demônio não pode fazer milagres no sentido estrito (que manifestem um poder absoluto sobre a natureza); mas sim prodígios (que utilizam as leis da natureza de modo particularmente engenhoso).

Ora, não se acham milagres patentes entre os carismáticos. Eles mesmos reconhecem que um bom número de curas, efetuadas no curso de suas reuniões, não duram [355].

Ademais, as declamações em línguas desconhecidas proferidas em certas reuniões carismáticas foram, por vezes, identificadas como blasfêmias por pessoas que conheciam essas línguas e estavam presentes por acaso.



“O sentimentalismo é, para a sensibilidade, uma afetação de amor de Deus e do próximo que não existe suficientemente na vontade espiritual. Então, a alma procura a si mesma mais do que a Deus; daí, para tirar a alma desta imperfeição, Deus purifica a alma pela aridez da sensibilidade. Se verdadeiramente nesta aridez a alma não é suficientemente generosa, então cai na preguiça espiritual, na tepidez, e não mais tende suficientemente à perfeição. Igualmente, pelo amor desordenado de si mesmo, vicia-se o labor intelectual ou apostólico, pois nele buscamos satisfação pessoal, buscamos o louvor em si mais do que a Deus ou à salvação das almas. Assim, o pregador pode tornar-se estéril 'como um bronze que soa ou um címbalo que tine' (1Cor 13,1). A alma se retarda, não é mais iniciante porém não avança ao estado dos aproveitados; permanece uma alma retardada, como um menino que, por não crescer, não permanece criança e nem se faz adolescente ou adulto normal, mas um homúnculo deforme. Ocorre algo similar na ordem espiritual, e isto provém do amor próprio desordenado, do sentimentalismo, do qual nasce a esterilidade da vida.” (Pe. Garrigou Lagrange, 'As Três Vias e as Três Conversões', ed. Permanência)

Todavia a questão mais profunda e importante, que precisa ser trazida à tona nestes casos, é esta: será que aquele sentimentalismo todo era realmente fé cristã? Será que se emocionar, chorar, cantar entusiasmado, dizer orações a Deus com grande empolgação e outras demonstrações externas como estas são realmente o sinal de uma autêntica e saudável vida em Cristo?

Diz a carta aos Hebreus: “A fé é o fundamento da esperança; é uma certeza a respeito do que não se vê” (Hb 11,1). “Não se vê”, neste caso, é alusão a essa relação que se pode ter com a fé – e que de fato costumamos ter, nos primeiros tempos logo após a nossa conversão – por meio dos sentidos físicos.

Algumas pessoas chegam, sim, a ter visões supranaturais, embora estes sejam casos raros. Mas se dizemos que a fé é uma certeza a respeito daquilo que não se experimenta por meio dos sentidos físicos, podemos afirmar que é a fé é uma certeza a respeito daquilo que não se sente emocionalmente; ao menos não necessariamente. A fé cristã está, sem dúvida, mais relacionada à vontade do que às meras e fugazes emoções humanas.

“Importa saber que, não obstante poderem ser obra de Deus os efeitos extraordinários que se produzem nos sentidos corporais, é necessário que as almas não o queiram admitir nem ter segurança neles; antes é preciso fugir inteiramente de tais coisas, sem querer examinar se são boas ou más. Porque quanto mais exteriores e corporais, menos certo é que são de Deus. (...)

Quem estima esses efeitos extraordinários erra muito, e corre grande perigo de ser enganado, ou ao menos, terá em si total obstáculo para ir ao que é espiritual. Como já dissemos, os objetos corporais nenhuma proporção têm com os espirituais, por isso, deve-se sempre pensar que, nos primeiros, mais se encontra a ação do mau espírito em lugar da ação divina.

O demônio, possuindo mais domínio sobre as coisas corporais e exteriores, pode com maior facilidade nos enganar neste ponto, do que nas mais interiores e espirituais.”
“A alma presa às graças sensíveis permanece ignorante e grosseira na vida de fé, e fica sujeita muitas vezes a tentações graves e pensamentos importunos.”

“Cautela nessas comunicações exteriores e sensíveis sem jamais as admitir – a não ser em certas circunstâncias muito raras e sob o parecer de alguém com muita autoridade, e excluindo sempre o desejo delas.”
(Subida do Monte Carmelo, p. 217ss, Capítulo XI)

O que precisamos é nos prevenir contra o perigo de achar que a emoção é uma condição necessária para a Comunhão com Deus; o perigo de associar vida espiritual e emoção: este é um grave erro.

Como diz o grande Pe. Garrigou-Lagrange, pessoas que procedem assim no fundo são egoístas, porque não estão procurando Deus por Ele mesmo, mas pelas consolações e delícias espirituais. São como viciadas nesses doces sentimentos e sensações.

É por isso que vemos tanta gente que num primeiro momento se empolga com os grupos de oração ditos carismáticos, mas depois de algum tempo desacorçoam, deixam de ir à Igreja, e muitas delas terminam em seitas protestantes pentecostais.

As lágrimas não são necessariamente negativas. Negativo é buscar as lágrimas, é acreditar que elas sejam necessárias, é imaginar que quem vai às lágrimas é mais santo ou está mais próximo de Deus do que aqueles que são mais controlados.

Parece-me importante repetir mais uma vez, o que diz São João da Cruz e que resume muito bem a questão: "Importa saber que, não obstante poderem ser obra de Deus os efeitos extraordinários que se produzem nos sentidos corporais (sensações e emoções), é necessário que as almas não o queiram admitir nem ter segurança neles; antes é preciso fugir inteiramente de tais coisas, sem querer examinar se são boas ou más. Porque quanto mais exteriores e corporais, menos certo é que são de Deus."

Notas:

[348] João XXIII, Constituição Humanae salutis convocando, oficialmente, o Concílio Vaticano II (25 de dezembro de 1961).

[349] Constituição Lumen gentium (sobre a Igreja), nº 12 – Decreto sobre o apostolado dos leigos, §3º: “da recepção desses carismas, mesmo dos mais simples, resulta, para cada um dos crentes, o direito e o dever de exercer esses dons na Igreja e no mundo, para a edificação da Igreja, na liberdade do Espírito Santo, que sopra onde quer”.

[350] Vaticano II, decreto Unitatis redintegratio (sobre o ecumenismo), § 3. Ver a pergunta nº 47 deste catecismo.

[351] Ibid., § 4º

[352] “Enquanto católicos, estavam respaldados pelo Concílio, que havia afirmado: “tudo o que é realizado pela Graça do Espírito Santo nos irmãos separados pode contribuir para a nossa edificação”. Depois de se terem informado bem, decidiram pedir a um grupo de pentecostalistas para orarem por eles e sobre eles”. Mario Panciera em Présence chrétienne nº12 (abril de 1989), citado em Courrier de Rome (Sì Sì No No) nº 111 (fevereiro de 1990), p.2.

[353] A confusão entre fé e sentimento religioso é o erro de base do modernismo condenado por São Pio X. Ver a pergunta nº 11 deste catecismo.

[354] Os membros da Comunidade do Puits de Jacob fazem sessão de P.R.H. (Personalidade e Relações Humanas) no espírito do psicólogo norte-americano Carl Rogers (que teve importante papel na elaboração das técnicas de dinâmica de grupo) [A. Delassus, ibid,p.69-70]. A Comunidade do Chemin neuf, que recruta muitos dentre os profissionais da saúde, propõe uma medicina integrada na espiritualidade. A Comunidade des Béatitudes dá muita importância também à psicoterapia. – É paradoxal que um movimento que se diz carismático tenha necessidade, para se perpetuar, de se especializar nessa psicologia humana que os carismas do Espírito Santo deveriam, ao contrário, moverem sozinhos e sem esforço.

[355] Um dentre eles explica assim: “Viu-se, às vezes, uma pessoa começar uma cura, depois recair alguns dias depois. Preferia seu estatuto de doente assistida a uma autonomia de pessoa saudável, ou talvez recusasse fazer os esforços para perseverar e progredir em direção à plena saúde física, psíquica e espiritual” (Yves Jéhanno, L’Enjeu Du renouveau charismatique, Paris, Fayard, 1988, p.93). Não se pode manifestar melhor que não se trata de milagres; mas de simples prodígios (que ajudam a natureza a produzir esse ou aquele efeito, mas que não têm pleno poder sobre ela).

Catecismo Católico da Crise na Igreja. Pe. Mathias Gaudron.


Fonte: https://www.ofielcatolico.com.br/2006/08/o-perigoso-sentimentalismo-e.html

quinta-feira, 28 de novembro de 2024

Teólogos hereges que influenciaram o Concílio Vaticano II

 Teólogos hereges que influenciaram o Concílio Vaticano II 


O jesuíta Karl Rahner (1904-1984), mesmo sendo mais prudente e menos explícito, espalhou teses análogas em suas obras. O Santo Ofício, desde 1949, impôs-lhe silêncio sobre certas questões. Teve, no entanto, sobre o Concílio Vaticano II, uma influência imensa; Ralph Wiltgen vai até dizer que foi o teólogo mais influente do Concílio:

“A posição dos Bispos de língua alemã sendo regularmente adotada pela Aliança europeia (Aliança do Reno), e a posição da Aliança sendo, por sua vez, adotada a mais frequentemente adotada pelo Concílio, bastava que um só teólogo fizesse que suas visões fossem adotadas pelos Bispos de língua alemã para que o Concílio as fizesse suas. Ora, um tal teólogo existia: era o padre Karl Rahner.” [76]

Há outros testemunhos sobre a influência de Rahner no Concílio?

O padre Congar conta:

“O clima virou: Rahner dixit, ergo verum est [Rahner disse, então é verdade] Eu lhes dou um exemplo. A Comissão doutrinal era formada pelos Bispos, cada um tendo a seu lado seu próprio expert, mas também por alguns Superiores gerais (como o dos Dominicanos ou dos Carmelitas).

Ora, sobre a mesa da Comissão, havia dois microfones; mas Rahner, praticamente, havia tomado um para ele sozinho.

Rahner era um pouco intrometido, e muito frequentemente, além disso, o Cardeal de Viena, Franz König, cujo expert era Rahner, virava-se em sua direção e dizia-lhe, para que falasse: Rahner, quid? Naturalmente, Rahner intervinha (...)” [77]

Qual era o pensamento de Karl Rahner?

Karl Rahner era um revoltado contra o ensinamento tradicional da Igreja que, para ele, era só “monolitismo” e “teologia de escola”. Uma carta que escreveu em 22 de fevereiro de 1962 por ocasião da tradução italiana de seu Dicionário de Teologia (Pequeno Dicionário Teológico) esclarece-nos sobre seus sentimentos em relação ao Magistério da Igreja:

“(...) Uma tradução italiana é claramente um problema especial, em razão da presença, em Roma, de líderes e guardiães da ortodoxia. Por outro lado, estou cada vez mais fortificado em minhas posições. Poder-se-ia também dizer que este pequeno léxico está redigido de tal modo que essas pessoas não compreendam nada e não vejam, portanto, o que está dito contra sua estreiteza.” [78]

Karl Rahner manifestou, durante o Concílio, sua revolta contra a Tradição e o Magistério da Igreja ?

Durante o Concílio, o Cardeal Ottaviani, Prefeito do Santo Ofício, exprimiu um dia, em seu discurso, sua inquietação quanto a algumas inovações. Falava sem texto, estando quase cego, e ultrapassou seu tempo para falar. Então, o microfone simplesmente lhe foi cortado. Rahner comentou o acontecimento em uma carta escrita a Vorgrimler, em 05 de novembro de 1962:

“Você já deve ter sabido que Alfrink, de novo, simplesmente cortou a palavra a Ottaviani, porque ele falava por muito tempo. Começou-se a aplaudir (o que não é habitual). Moral: A alegria sádica é a alegria mais pura.” [79]

Encontra-se, na correspondência de Karl Rahner, outros elementos sobre seus sentimentos durante o Concílio?

A publicação, em 1994, da correspondência trocada entre padre Karl Rahner e a poetisa austríaca Luise Rinser (1911-2002) fez estourar o escândalo: no momento mesmo em que mandava chover e fazer bom tempo no Concílio, Karl Rahner estava em correspondência amorosa com essa mulher, escrevendo-lhe, em sua paixão, até três cartas por dia (e 276 só no ano de 1964).

Outros maus teólogos influenciaram Vaticano II?

Podem-se citar, entre outros, o padre Congar e o padre De Lubac, já apresentados anteriormente; o padre Schillebeeckx, o padre John Courtney-Murray, etc.

Qual foi a influência do padre Congar no Concílio?

Mons. Lefebvre conta:

“No início do Vaticano II, eu ia às reuniões [dos Bispos franceses] em Saint Louis-des-Français. Mas ficava estupefato de ver como aquilo acontecia. Os Bispos se comportavam literalmente como garotinhos diante dos Congar e outros experts que gravitavam. O padre Congar subia à mesa da presidência e, sem o menor pudor, dizia:
“Monsenhor Fulano, o senhor fará tal intervenção sobre tal assunto. Não tenha nenhuma preocupação. Nós lhe prepararemos o texto e o senhor só terá que ler.”

Não podia crer no que meus olhos viam, nem no que meus ouvidos ouviam! E parei de ir a essas reuniões (...)” [80]

Há outros testemunhos sobre a influência do padre Congar?

Mons. Desmazières, Bispo-auxiliar de Bordeaux, conta:

“(...) De tarde, os trabalhos continuavam. Eu ia ao meu, dirigido pelo padre Congar, sobre a Escritura e a Tradição. Éramos uma dúzia. A nós de prever as intervenções a serem feitas a partir de amanhã (...)

Pediram-me para tomar a segunda. Não me recusei, mas com a condição de que o padre Congar preparasse o meu texto. Estava de acordo. Ele mo passará amanhã no carro (...)

Tomei conhecimento do texto dentro do carro; não estava decidido a mudar o que quer que fosse. Desembarcando em São Pedro, inscrevi-me para falar: era o vigésimo primeiro (...)” [81]

O que disso dizia o padre Congar?

O padre Congar, normalmente, minimizou sua influência no Concílio. No entanto, assim resumiu sua ação:

“A preparação do Concílio havia estado sob a dominação dos homens da Cúria e do Santo Ofício.(...) Tudo consistiu, praticamente, em os colocar em minoria.” [82]
Era para ele uma vitória. Dez anos antes, punido por seus Superiores, anotava em seu diário pessoal as seguintes resoluções:

“Continuar, ao máximo, a escrever no mesmo sentido, utilizando todas as chances de liberdade. Aí está, sobretudo, meu combate. Eu sei (e “eles” sabem!), que em maior ou menor escala, tudo o que digo e escrevo é a negação do sistema. Sim, aí está meu verdadeiro combate: em meu trabalho teológico, histórico, eclesiológico e pastoral. O curso que eu componho, neste momento, de Ecclesia, exatamente como não se tratasse de nada, é este uma verdadeira resposta; é este minha verdadeira dinamite sob a cadeira dos escribas.” [83]

Depois do Concílio, declarou:

“O Concílio liquidou o que eu chamava de incondicionalismo do sistema. Entendo, por sistema, todo um conjunto muito coerente de ideias comunicadas pelo ensinamento das Universidades romanas, codificadas pelo Direito canônico, protegidas por uma supervisão estrita e bem eficaz sob Pio XII, com resumos, apelos à ordem, submissão dos escritos a censuras romanas, etc. Pelo fato do Concílio, o sistema foi desintegrado” [84]

Quem é o padre Courtney-Murray ?

O padre John Courtney-Murray, jesuíta Americano (1904-1967), havia sido condenado em 1955 pelo Santo Ofício, por causa do seu estudo The Problem of religious freedom – O problema da Liberdade Religiosa.

Foi, no entanto, convidado, como expert, ao Concílio Vaticano II, a partir de 1963. Durante os debates sobre a liberdade religiosa, propunha-se aos Bispos para redigir suas intervenções, e, assim, exerceu uma influência considerável.

No fim de sua vida, tentou demonstrar que o ensinamento da Igreja sobre a contracepção podia evoluir, como havia evoluído o ensinamento sobre a liberdade religiosa.

O que se pode concluir disso tudo?

Que tais homens como Küng, Rahner, Congar, Lubac, Courtney-Murray, etc. tenham exercido uma influência sobre o Concílio não advoga em seu favor, nem a favor de suas reformas.

Infelizmente, algumas declarações do Papa João Paulo II também não lhe trazem vantagem. Tal como esta que fez em 1963 (quando não era mais que simples Bispo):

“Jamais um Concílio conheceu tamanha preparação, jamais se sondou de maneira tão ampla a opinião católica. Não somente os Bispos, as Universidades Católicas e os Superiores Gerais das Congregações exprimiram suas opiniões sobre os problemas conciliares; mas também uma grande porcentagem de católicos leigos e mesmo de não-católicos. Teólogos tão eminentes quanto Henri de Lubac, J.Daniélou, Y.Congar, H.Küng, R. Lombardi, Karl Rahner e outros tiveram um papel extraordinário nesses trabalhos preparatórios.” [85]


Notas:

[76] Citado por Ralph Wiltgen, O Reno se lança no Tibre, Paris, Cèdre, 1982, p.79. (nota da tradução: o livro foi editado em Português pela editora Permanência)

[77] Yves Congar, em Trente Jours (edição francesa), nº3 1993, p.26.

[78] Herbert Vorgrimler, Karl Rahner verstehen, Fribourg, Herder, 1995, p.175.

[79] Deutsche Tagespost, 10 de outubro de 1992.

[80] Mons. Marcel Lefebvre em Fideliter nº59, p.53.

[81] Mons. Desmazières, L’aquitaine (semaine religieuse de Bordeaux),dezembro de 1962, p.580.

[82] Yves Congar O.P,em Une vie pour La vérité, Jean Puyo interroge Le père Congar,Paris,Centurion, 1975,p.140.

[83] Yves Congar O.P, notas manuscritas de fevereiro de 1954, citadas por François Leprieur O.P. Quand Rome condamne, Paris, Plon/Cerf, 1989, p.259.

[84] Yves Congar O.P, em Une vie pour La vérité, Jean Puyo interroge Le père Congar,Paris, centurion, 1975, p.220.

[85] Citado por M.Malinski, Mon ami Karol Wojtyla, Paris,Le Centurion, 1980, p.189

Catecismo Católico da Crise na Igreja. Pe. Mathias Gaudron.


Notas da imagem:

Encontro do Cardeal Ratzinger com o Yves Congar.

Nos anos 30 e 40, uma nova geração de modernistas entrou em cena. Seus nomes serão muito conhecidos mais tarde, como os dominicanos Marie-Dominique Chenu e Yves Congar, os jesuítas Henri de Lubac, Hans Urs von Balthasar e, em seguida, Karl Rahner, formuladores de uma “nova teologia”, cujas raízes estão fincadas no velho modernismo.

Assim como os “velhos” modernistas, os novos teólogos estavam, eles também, fortemente impregnados de imanentismo, subjetivismo e relativismo, com todas as consequências imagináveis no domínio da dogmática e da moral. 

O Padre Henri de Lubac, por exemplo, líder da Nova Teologia e, por isso mesmo, tido como “pai” do Concílio Vaticano II e da nova Igreja conciliar, tinha ele também, assim como seus mestres modernistas, uma noção muito elástica da verdade.

Editora Permanência. Disponível em: https://permanencia.org.br/drupal/taxonomy/term/462


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