A mediação de Monsenhor Stimpfle

Retirado do site SSPXAsia.com - Traduzido por Jordan Rodrigues
Em 15 de junho de 1977, Monsenhor Stimpfle, Bispo de Augsburg, enviou seu secretário, Padre Döllinger, a Ecône, para entregar uma carta ao Arcebispo Lefebvre. Nesta carta, Monsenhor Stimpfle instou o Arcebispo a adiar as ordenações marcadas para 29 de junho como um sinal de respeito ao Santo Padre. O Padre Döllinger foi acompanhado pelo Dr. Eric de Saventhem, Presidente da Federação Internacional Una Voce e por Madame Elizabeth de Saventhem. O Padre Döllinger retornou à Alemanha no mesmo dia, e naquela noite um aide Mémoire de sua discussão de duas horas com o Arcebispo foi compilado pelo Dr. de Saventhem e transmitido a ele em Munique por telex na manhã seguinte. Ele dizia o seguinte.
16 de junho de 1977
Número de telex 618/77
No desejo ardente de estar em pleno acordo e em completa submissão ao Vigário de Cristo e Sucessor de São Pedro, e apesar do golpe das recentes discussões em Roma, Monsenhor Lefebvre ainda está preparado para adiar a data das ordenações marcada para 29 de junho próximo, na esperança de que, ao final deste período de atraso, seja possível conduzir essas ordenações em um clima de serenidade e de forma totalmente lícita sob o Direito Canônico. Para justificar tal esperança, Monsenhor Lefebvre precisaria receber certas garantias antes de 22 de junho. Essas garantias precisariam lidar com os três pontos a seguir:
1) Aceitação dos textos conciliares sensu obvio
Em certos textos conciliares, existem passagens cujo significado aparente parece contradizer ensinamentos anteriores da Igreja. É por isso que Monsenhor Lefebvre se restringiu a declarar em sua carta de 3 de dezembro de 1976 que ele aceitava "tudo o que no Concílio e nas reformas está em plena conformidade com a Tradição". Foi devido a essa reserva que a recente conversa entre Monsenhor Lefebvre e dois teólogos romanos fracassou.
Para encontrar uma saída para esse impasse, Roma precisaria concordar que as passagens controversas deveriam ser submetidas à Pontifícia Comissão para a Interpretação dos Decretos do Concílio Vaticano II, e que a Comissão acima mencionada deveria ser ordenada a convidar os defensores e críticos desses trechos a submeterem suas opiniões a ela por escrito, de acordo com métodos de procedimento a serem acordados. Após fazer um estudo dessas submissões, a Comissão, em uma "interpretação oficial", mostrará ou confirmará a plena concordância entre os textos controversos e o ensinamento constante da Igreja. Uma vez aprovada pelo Soberano Pontífice, essa "interpretação" se tornará vinculativa para todos.1 Se este procedimento fosse posto em prática, Dom Lefebvre seria capaz de aceitar todos os textos conciliares, seja em seu sentido aparente, seja de acordo com uma interpretação oficial que assegurasse sua plena concordância com a Tradição autêntica da Igreja.
2) Um modus vivendi litúrgicopara os chamados padres e leigos tradicionais.
Por enquanto, será suficiente que Roma cancele o mais rápido possível o terceiro parágrafo da seção dois da Notificatio de 14 de junho de 1971.2 Com relação a isso, uma carta deve ser enviada às Conferências Episcopais informando-as que, doravante, para todas as missas celebradas em latim, o padre poderá usar o antigo Missal em igualdade de condições com o novo, e solicitando que coloquem as igrejas à disposição daqueles (padres e leigos) que desejarem fazer isso.
Quanto aos outros ritos sacramentais, Roma deveria aceitar em princípio a exigência de uma moratória sobre a aplicação de sua legislação recente que torna obrigatório o uso exclusivo dos novos ritos.
3) O estatuto canónico da Fraternidade São Pio X
Monsenhor Lefebvre deve ter certeza de que a “trégua” será usada por Roma para restaurar à Fraternidade seu direito legal de existir. Os métodos precisos (de fazer isso acontecer) permanecerão a serem fixados, e devem resultar de negociações diretas entre as Congregações competentes (do Vaticano) e os oficiais da Fraternidade.
Se tais garantias chegarem a Dom Lefebvre antes de 22 de junho, ele cancelará as ordenações marcadas para 29 de junho, adiando-as para uma data posterior (provavelmente o sábado após as Têmporas de setembro).
Uma “trégua” de quase três meses deveria ser suficiente para lidar com todos os problemas canônicos.
Cópias das cartas endereçadas por Monsenhor Stimpfle ao Arcebispo Lefebvre em 14 e 17 de junho, juntamente com este aide mémoire, foram enviadas aos Cardeais Benelli, Ratzinger e Villot. A correspondência foi entregue ao Cardeal Benelli por correio às 16h00 do dia 18 de junho.
1. NOTA DE RODAPÉ DE MICHAEL DAVIES. Note bem que o Arcebispo tem tanta confiança na validade de suas críticas aos textos em questão que ele está disposto a se comprometer antecipadamente a aceitar a decisão da Pontifícia Comissão, que, ele está confiante, está vinculada a defender a Tradição.
2. " A partir do dia em que as traduções definitivas devem ser adotadas nas celebrações nas línguas vernáculas, aqueles que continuam a usar a língua latina devem fazer uso uniforme dos textos renovados, seja para a Missa, seja para a Liturgia das Horas." O texto da Notificatio de 14 de junho de 1971, e um comentário sobre seu status legal, estão disponíveis em Pope Paul's New Mass, pp. 560-563 .
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