sábado, 16 de novembro de 2024

Contra a Tristeza: Enfrentando o Grande Mal da Alma

Contra a Tristeza: Enfrentando o Grande Mal da Alma

Muitos católicos confundem a vida de santidade com uma vida séria e triste, mas isso traz um grande mal para uma alma piedosa, pois nos leva a ver como fardo as obrigações que temos para com Deus, nosso Senhor — rezar o Rosário, ir à Santa Missa, jejuar, fazer uma novena, evitar ocasiões de pecado. No entanto, isso contradiz as próprias palavras de Nosso Senhor Jesus Cristo: “Porque o meu jugo é suave, e o meu fardo é leve.” No livro dos Salmos, o salmista nos diz como devemos servir a Deus, nosso Senhor: “Servi ao Senhor com alegria; vinde com júbilo diante dele.”

Muitas vezes, é pela tristeza e pela acídia que o demônio tenta nos levar ao pecado. E mesmo no pecado, muitas pessoas confundem contrição com melancolia. Sim, o pecado deve causar dor em nosso coração, mas não devemos abraçar uma tristeza que nos leva ao escrúpulo e que, muitas vezes, impede o verdadeiro arrependimento, fazendo-nos cair repetidas vezes no mesmo pecado ou até em outros. A contrição à qual Nosso Senhor Jesus Cristo nos convida não é uma contrição de tristeza desmedida, pois isso é um grande mal, tanto para nossa alma quanto para os que nos cercam.

No livro de Jó, lemos a história do fiel servo de Deus que, em sua provação, perdeu tudo: seus filhos, bens, alimentos, empregados, casas, pastos, animais, e, além de tudo, teve seu corpo coberto de feridas, que ele raspava com um caco de telha. Após longo tempo em silêncio e meditação, quando Deus decide responder-lhe, começa dizendo: “Cinge agora os teus lombos como homem; eu te perguntarei, e tu me responderás.” Quase que dizendo “Fala comigo feito um homem”. 

É um grande engano pensar que, para servir a Deus e ser católico, é necessário ser triste. A tristeza, como vimos, não vem de Deus, mas é uma armadilha do próprio demônio. São João Bosco, em seu livro O Cristão Bem Formado, nos alerta para esse mal e ensina que um dos artifícios do demônio para nos afastar da santidade é a tristeza:

“Dois são os artifícios que o demônio, principalmente, costuma usar para afastar o cristão do caminho da virtude. O primeiro é fazer crer que, para servir a Deus, é preciso levar uma vida melancólica, longe de todo divertimento e prazer. Mas, não é assim, meu querido filho. Quero ensinar um plano de vida que o faça feliz e, ao mesmo tempo, lhe conceda conhecer os verdadeiros divertimentos e encantos, de tal forma que possa dizer como Davi: ‘Servi ao Senhor com alegria’. Tal é precisamente a finalidade desta obra: ensinar a servir a Deus e a viver sempre feliz.”

Claro que ninguém vai sair por aí pulando de alegria como alguém fora de suas faculdades mentais, mas é um grande mal para a alma alimentar essa tristeza. Recomendo a leitura dos seguintes livros: O Escrúpulo, de Monsenhor Gaume; O Cristão Bem Formado, de São João Bosco; Filoteia, de São Francisco de Sales; e A Imitação de Cristo, de Tomás de Kempis.



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