Essência e Existência - O que são e qual a diferença?
Feito por: Jordan de Tómas
A questão da diferença entre essência e existência é de uma profundidade incomensurável e, ao mesmo tempo, essencial para o estudo da metafísica. No pensamento aristotélico-tomista, essas duas noções são fundamentais para a compreensão de todas as coisas que existem. A resposta à pergunta sobre a distinção entre essência e existência é clara: Essência é o que uma coisa é, existência é o fato de ela ser.
O que é essência?
Essência é a natureza intrínseca de uma coisa, o que define o que ela é, o conjunto de suas propriedades que a tornam o que é. Ela responde à pergunta "quid sit" -- "O que é?". Por exemplo, se perguntarmos "o que é uma árvore?", a resposta será: "é um ser vivo, vegetal, com raízes, tronco e folhas." Essas características constituem a essência da árvore. Sem essas características, ela deixaria de ser uma árvore.
A essência é o conceito de uma coisa, aquilo que podemos definir mentalmente. Podemos compreender a essência de uma coisa mesmo que ela não exista concretamente no mundo. Aristóteles, e mais tarde Santo Tomás, afirmam que a essência de uma coisa pode ser compreendida independentemente da existência dessa coisa. Mesmo que o "unicórnio" nunca tenha existido, podemos definir sua essência: "um cavalo com um chifre na testa."
O que é existência?
Existência, por sua vez, é o ato de ser, é o fato de que algo é. Existir é o ato que faz com que uma essência se torne real no mundo. A existência é o que torna a essência concreta, visível e palpável. Por exemplo, a árvore existe quando está em um campo, ao passo que sua essência é o conjunto de suas propriedades, as quais podem ser pensadas mesmo que a árvore não exista de fato.
A existência não pode ser pensada ou definida como essência de algo. Enquanto a essência define o que é, a existência se refere ao fato de ela ser, ou seja, o ato de ser. A essência pode ser concebida mentalmente, mas a existência não pode ser entendida sem o ato de ser.
Quando perguntamos "an sit" -- "isso existe?" -- estamos perguntando se a essência em questão realmente tem o ato de ser, se ela é uma realidade concreta. A resposta "an sit" se refere à verificação do fato de algo existir, ou seja, de sua realidade concreta no mundo.
A distinção Essencial -- Por que isso importa?
A grande questão da filosofia tomista é que a essência e a existência são realidades distintas, mas inseparáveis. A essência de uma coisa pode ser pensada sem que ela exista. No entanto, a existência não pode ser pensada independentemente da essência, pois é a essência que determina o que algo será, mas a existência é o ato que o torna real.
A confusão entre essência e existência gerou distorções filosóficas, como vimos nas críticas de Heidegger, que acusou a filosofia ocidental de ter esquecido o "ser." Mas, como nos ensina Santo Tomás, a verdadeira distinção entre essência e existência é um ponto central que deve ser preservado, pois sem essa compreensão, a metafísica e a teologia sagrada ficariam incompletas.
O ente e a diferença com Deus
O ponto crucial para entender a diferença entre essência e existência é a aplicação dessa distinção a Deus. Para as criaturas, a essência e a existência são distintas: a essência define o que uma coisa é, enquanto a existência é o ato de ser que dá a realidade àquela essência. Porém, Deus, sendo o Ser puro, não possui uma essência separada de sua existência. A essência de Deus é idêntica à Sua existência. Em Deus, não há uma essência que receba a existência, mas Ele é o ato puro de ser, sendo Sua essência exatamente na Sua existência.
Concluímos aqui
Portanto, ao compreendermos a diferença entre essência e existência, somos capazes de alcançar uma compreensão mais clara do mundo. A essência é o que uma coisa é, enquanto existência é o ato de ela ser. Ao entender essa diferença, conseguimos, por um lado, distinguir entre as realidades finitas e Deus, e, compreensão mais profunda da natureza de todas as coisas.
Essencialmente, a filosofia aristotélica-tomista nos convida a refletir sobre a verdade de cada coisa, compreendendo que, enquanto nossa mente pode captar a essência das coisas, é o ato de ser, a existência, que as torna reais. A verdadeira sabedoria começa a partir dessa compreensão, pois a essência e a existência são as chaves para todo o conhecimento verdadeiro.
Pe. Álvaro Calderón, aponta sobre isso em seu livro "Umbrales de Filosofia", recomendo bastante a leitura. Deixarei abaixo uma das suas citações:
A primeira operação do intelecto é, então, aquela pela qual o intelecto entende quid sit res, ou seja, a quididade ou essência da coisa. O intelecto a alcança a partir da imagem ou do phantasmata no qual se acumula a experiência sensível de cada ordem de coisas. O processo de obtenção é a abstractio, pela qual se deixa de lado o acidental e se entende o essencial. A impressão ou a imagem espiritual que fica no intelecto se chama conceptus, porque assim como uma mãe concebe o filho com a alegria de ter dado à luz uma imagem de seu amado esposo, assim também a inteligência concebe a quididade com a alegria de ter iluminado o essencial segundo a imagem do amado ser do real.
Pe. Álvaro Calderón, Umbrales de Filosofía, Introducción a la Filosofía, c. II
Que nossa busca pelo conhecimento não se limite às sombras do entendimento, mas que, como Dr. Angélico, nos dirijamos ao coração do Ser, onde a essência e a existência se encontram no perfeito do ser.
Cor Iesu Sacratissimum, lux veritatis et sapientiae, duce nos in via veritatis.

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